Um vídeo da youtuber Carol Mariano reúne declarações de músicos brasileiros que expressaram antipatia pelo Iron Maiden. A seleção contrapõe a popularidade da banda inglesa no Brasil às críticas de artistas de gerações e estilos diferentes, discutindo tanto a música quanto a teatralidade dos shows.
João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, aparece em uma declaração na qual afirma que Iron Maiden e Saxon não fizeram parte de sua trajetória musical. “Nunca escutei essas porcarias”, resume. O vídeo também diferencia a rejeição estética de uma eventual questão pessoal: Bruce Dickinson teria enviado ao cantor um boneco Funko Pop autografado de Eddie, em uma versão ciborgue, para ser rifado em benefício do projeto Solidariedade Vegan, que distribui marmitas a pessoas em situação de rua. João Gordo retribuiu com um boné assinado.
Lobão é apresentado como um crítico mais abrangente da banda. Além do som, ele questiona a estética, o figurino, a ausência de swing, o formato dos espetáculos e o público. “Mas nem pensar. Imagina. Esse é o cocô do cavalo do bandido”, disse, ao ser perguntado se gostava do Iron Maiden. Em outro trecho, também critica os arranjos de guitarra, as letras e a presença de bonecos e robôs na encenação.
Letras, palco e fórmula do heavy metal
Carol Mariano contesta a avaliação sobre as letras. Ela menciona “Paschendale”, associada à Primeira Guerra Mundial; “The Trooper”, sobre a Guerra da Crimeia; e “Rime of the Ancient Mariner”, adaptação de um poema de Samuel Taylor Coleridge. O vídeo sustenta que referências literárias, históricas e biográficas impediriam uma classificação genérica dos textos como ruins.
Oswaldo Vecchione, fundador do Made in Brazil, também rejeita o grupo, que considera música para criança e incapaz de despertar seu interesse. A teatralidade, segundo a discussão apresentada, não seria o motivo: Vecchione admira Alice Cooper, e atribui a recusa à própria fórmula do heavy metal.
Na conclusão, o vídeo defende que espetáculo e erudição podem integrar o rock. Alice Cooper, David Bowie, Queen, Rammstein e Slipknot são citados como exemplos de artistas que incorporaram o visual à experiência musical. A produção ainda relaciona o investimento cênico ao preço dos ingressos e à taxa de conveniência cobrada no Brasil, antes de deixar ao público a discussão sobre o papel da grandiosidade na identidade do Iron Maiden.


