Nando Reis contou quais autores consagrados não funcionaram para ele durante uma conversa sobre sua biblioteca. O compositor também falou sobre a retomada do hábito de ler, interrompido por um período em que o celular e as séries ocuparam mais espaço em sua rotina. A volta à leitura se relaciona ao desejo de escrever sobre a própria vida e o levou a procurar autores autobiográficos.
A tentativa com Karl Ove Knausgård terminou logo no início de A Morte do Pai, primeiro volume da série do escritor. Reis disse que não avançou além da impressão inicial: “Chato. Eu li e falei: puta, esse cara é antipático”. Ele reconheceu, porém, que se tratava de uma reação pessoal diante de um autor lido e celebrado por muitas pessoas.
Com Goethe, a experiência foi ainda mais difícil. Reis abandonou Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister porque não se identificou com o personagem. A interrupção quase fez com que ele se afastasse novamente dos livros, até que decidiu não permitir que uma obra considerada chata impedisse sua retomada da leitura.
Da rejeição à revisão de opinião
Por anos, o compositor também evitou Os Miseráveis, de Victor Hugo. A resistência vinha de uma adaptação cinematográfica que ele considerava insuportável. Ao finalmente iniciar o romance, no entanto, mudou de posição já na apresentação do bispo. Depois da leitura, voltou ao filme e ficou ainda mais insatisfeito com a adaptação.
As leituras que conquistaram Reis incluem a releitura de Henry Miller e a trilogia formada por Sexus, Plexus e Nexus, com cerca de 2.000 páginas. Ele chegou a Knut Hamsun por indicação de Miller, leu Guerra e Paz e Dom Quixote, passou por Balzac e atualmente se dedica a Proust. Sobre o escritor francês, descreve a leitura como uma ginástica, por causa de frases que exigem retornos e releituras atentas.
Entre os brasileiros, Reis destaca Otto Lara Resende, Nelson Rodrigues e Pedro Nava. O livro Baú de Ossos já despertava sua curiosidade desde a época em que frequentava a casa da avó.
A principal influência, contudo, não é um romancista. Millôr Fernandes foi um ídolo de infância para o compositor, que recortava seus textos da revista Veja e os guardava em casa. Ainda menino, Reis montou em uma máquina de escrever um trabalho chamado Hálito Metálico, feito com recortes de Millôr e intervenções próprias. Ao mostrar o resultado ao pai e sugerir uma publicação, ouviu que aquilo não era exatamente um livro.



