RIO DE JANEIRO — Ed Motta contou que precisou esconder dos amigos a compra de “Synchronicity”, álbum lançado pelo Police em 1983. A lembrança foi compartilhada em entrevista ao canal Alta Fidelidade, de Luiz Felipe Carneiro, ao relembrar a adolescência no Rio de Janeiro, quando integrava uma turma de rock que rejeitava a banda.
O cantor afirmou que sua relação com a música mudou pouco antes, após a chegada da Rádio Fluminense. A partir daí, começou a colecionar discos e passou a ouvir o repertório de outra maneira. Dentro daquele grupo, porém, demonstrar interesse pelo Police era associado aos chamados playboys.
“Quem gostava de Police no colégio era playboy”, disse Motta. Ele relacionou a preferência musical às diferenças entre os grupos da escola e lembrou que os jovens que ouviam Jimmy Page não tinham namorada, enquanto os admiradores do Police tinham essa reputação.
A aquisição de “Synchronicity” foi planejada para evitar testemunhas. Motta não foi à loja que costumava frequentar com os amigos, porque não queria aparecer com o disco nas mãos. “Ninguém podia ver que eu comprei o 'Synchronicity'”, afirmou.
Na entrevista, o cantor também comparou a repercussão que imaginava para aquela compra à de ouvir Michael Jackson naquele período, algo que, segundo ele, não fazia. O episódio foi apresentado como parte das regras informais e das distinções musicais que marcavam sua adolescência.



