LOS ANGELES — O Record Plant, estúdio que recebeu gravações decisivas do rock durante 55 anos, encerrou as atividades em 2024. No local, o Eagles gravou Hotel California, o Guns N' Roses registrou parte de Appetite for Destruction e o Fleetwood Mac concluiu boa parte de Rumours.
O fechamento expõe uma mudança no modelo de produção musical. Embora a indústria da música fature mais do que em qualquer outro momento das últimas décadas, produzir uma faixa ficou mais barato e menos dependente de salas amplas, equipes fixas e longas permanências em estúdio.
Do aluguel prolongado ao trabalho fragmentado
O Fleetwood Mac passou cerca de um ano dentro do Record Plant, entre Sausalito e Los Angeles, para terminar Rumours. A Warner Bros bancou cada mês de sessão. Décadas depois, o engenheiro Gary Myerberg resumiu a diferença de custos em entrevista à Los Angeles Magazine: uma diária de 2 mil dólares poderia ser substituída pela compra de um laptop e de uma biblioteca de samples.
A tecnologia não eliminou os estúdios de uma só vez. Ela reduziu o custo de produção, diminuiu a quantidade de horas compradas por gravadoras e artistas e alterou o cálculo dos proprietários dos imóveis. Em determinados casos, vender o terreno passou a ser mais vantajoso do que manter uma estrutura de gravação.
Hoje, um artista pode gravar vocais em casa ou em um estúdio menor, enviar os arquivos pela internet, contratar um engenheiro remoto e montar o disco em partes. Esse processo substitui o modelo em que uma mesma sala era reservada por semanas seguidas.
Sobrevivência em novos formatos
O Gold Star, de Hollywood, onde Phil Spector desenvolveu boa parte do Wall of Sound, fechou em 1984. Menos de um ano depois, um incêndio destruiu o prédio, que deu lugar a um pequeno centro comercial. Stan Ross, cofundador do estúdio, definiu a transformação como “um negócio de botões, não um negócio criativo”. O Record Plant de Nova York fechou em 1987, e a unidade de Sausalito encerrou as atividades em 2008.
Alguns espaços sobreviveram mudando de estrutura. O terreno dos estúdios construídos por Charlie Chaplin em 1917 abrigou a A&M Records de 1966 a 1999 e depois passou a sediar a Henson Recording Studios, sob nova gestão de John Mayer e McG. Em Sausalito, o antigo Record Plant reabriu como 2200 Studios, administrado como organização sem fins lucrativos.
Esses casos indicam que a permanência não depende apenas da acústica de uma sala. O funcionamento dos estúdios lendários estava ligado a um ecossistema formado por gravadoras, engenheiros, aluguel prolongado e tempo para experimentar. Parte desse sistema pode ser reconstruída fora de um espaço físico, enquanto o valor dos imóveis passa a ser definido pelo mercado imobiliário, e não pelo mercado da música.


