A gravação de Just Push Play colocou Joe Perry diante de uma mudança no modo de trabalho do Aerosmith. Em vez da dinâmica que o guitarrista associava à banda, o álbum foi construído com os integrantes em locais e rotinas diferentes, além de uma busca por atualização sonora para 2001.
Em entrevista à Guitar World em 2023, Perry relatou que Steven Tyler desenvolvia as letras com Mark Hudson e permanecia bastante tempo em Los Angeles. Perry, por sua vez, registrava grande parte do material no Boneyard, seu estúdio doméstico. A distância entre os músicos alterou o ambiente das sessões e ampliou as divergências sobre o rumo musical do grupo.
O guitarrista disse que a formação recuperava parte de sua dinâmica quando os quatro trabalhavam juntos: “Fiz o máximo que pude para manter aquela velha atmosfera, e quando nós quatro estávamos juntos, funcionava”. A avaliação, contudo, não se estende ao conjunto do álbum. Para Perry, algumas faixas não preservam o som característico do Aerosmith: “Algumas coisas ali simplesmente não soam como Aerosmith para mim.”
Entre a memória e a mudança sonora
Perry não descartou todo o trabalho. Ele apontou “Avant Garden” entre as músicas de que gosta e recordou os períodos em que os integrantes se reuniam em sua casa, com gravações, charutos e passeios de quadriciclo. Essas lembranças convivem com a crítica ao resultado musical.
O disco incorporou uma produção mais polida, elementos eletrônicos e uma estética distante do rock cru dos anos 1970. “Jaded” se tornou um dos sucessos daquela fase, e o álbum recebeu disco de platina nos Estados Unidos.
A insatisfação de Perry já havia aparecido em 2004, quando ele afirmou que, visto em retrospecto, Just Push Play não soava como o Aerosmith de seus primeiros trabalhos. Mais de duas décadas depois, a percepção permanece: o álbum registra uma tentativa de acompanhar os novos tempos, mas também o afastamento de parte da sonoridade que o guitarrista reconhece como própria da banda.

