Para Geddy Lee, o Rush encontrou em Snakes & Arrows o equilíbrio entre as várias direções sonoras que marcaram a carreira da banda. Lançado em 2007, o álbum reuniu elementos associados às diferentes fases do grupo sem privilegiar apenas teclados, guitarras ou uma nova experimentação.
A avaliação foi feita pelo baixista dois anos depois do lançamento. Na ocasião, Lee afirmou: “Com Snakes & Arrows, encontramos aquele espaço que vínhamos querendo alcançar em termos de manter o equilíbrio das influências”. Ele explicou que a banda tinha muitas possibilidades à disposição e que sua ambição ao construir as músicas podia levar a excessos ou ao envolvimento exagerado com algum recurso sonoro.
Esse caminho havia começado em Vapor Trails, de 2002, o primeiro disco do Rush depois do longo afastamento relacionado às tragédias pessoais vividas por Neil Peart. O processo, porém, teria se completado em Snakes & Arrows, quando as escolhas do grupo passaram a se combinar de forma mais natural.
Lee também atribuiu importância ao EP Feedback, de 2004, composto por versões de canções que influenciaram o Rush nos primeiros anos. Para o músico, revisitar esse repertório ajudou a banda a recuperar referências fundamentais do rock. “Feedback realmente ajudou porque nos lembrou de nossas raízes e de várias coisas fundamentais sobre canções de rock que talvez tivessem se perdido na atitude tecnocrática que às vezes temos”, disse.
O disco ainda aparece entre os trabalhos preferidos do próprio baixista. Em uma entrevista posterior, Lee citou Snakes & Arrows ao lado de Power Windows, Moving Pictures e 2112 como seus quatro álbuns favoritos do Rush.
A trajetória da banda foi marcada por mudanças de abordagem, da formação ligada ao hard rock às composições longas, dos sintetizadores dos anos 1980 ao retorno das guitarras em etapas posteriores. Na leitura de Lee, o equilíbrio surgiu quando essas fases puderam conviver sem que o grupo precisasse escolher apenas uma delas.


