A música “Headlong Flight”, do álbum “Clockwork Angels”, levou Geddy Lee a reconhecer na ficção criada por Neil Peart um retrato da trajetória do Rush. Em entrevista ao The Guardian, em 2018, o baixista afirmou que a faixa tinha um sentido autobiográfico para a banda.
“Há algo em 'Headlong Flight' que, para mim, é quase sobre a história da minha banda. É autobiográfica de certa forma”, disse Geddy. A composição, porém, fazia parte de um álbum conceitual elaborado por Peart e acompanhava a jornada de um personagem diante de riscos, fracassos e conquistas.
Para o baixista, a canção também capturava a rapidez com que o tempo havia passado. Após quase quatro décadas de carreira, a sensação era de que toda a história do grupo havia transcorrido em velocidade. A ideia de olhar para o caminho percorrido sem apagar suas experiências se aproximava, para Geddy, da própria trajetória do Rush.
Lançado em 2012, “Clockwork Angels” reunia música e narrativa em torno de uma estrutura ficcional. Geddy comentou que nem sempre conseguia compreender totalmente os próprios discos conceituais, mas considerava que isso não era indispensável: a música e a letra podiam formar uma imagem suficiente para que a canção funcionasse.
A leitura autobiográfica de “Headlong Flight” também se relacionava à postura mantida pelo Rush ao longo da carreira. A banda resistiu a orientações externas sobre seu som e, durante a gravação de “2112”, chegou a se preparar para um possível fracasso comercial em vez de fazer o disco desejado pela gravadora.
Décadas depois, a insistência em seguir esse caminho havia produzido arenas lotadas e uma carreira que Geddy Lee disse que gostaria de reviver.


