No fim dos anos noventa, o Rush atravessava um período de incerteza. Neil Peart havia perdido a filha, Selena, em um acidente de carro, em 1997, e, pouco depois, também ficou sem a esposa, Jackie. O baterista se afastou das atividades, enquanto Geddy Lee e Alex Lifeson não sabiam se a banda voltaria a existir.
Nesse contexto, Robert Plant entrou em contato com Geddy Lee. O vocalista do Led Zeppelin estava em turnê com Jimmy Page para divulgar Walking Into Clarksdale e passaria por Toronto. Telefonemas chegaram ao escritório do Rush com a informação de que Plant queria falar com Lee. A princípio, a equipe desconfiou de que a ligação fosse realmente do músico. Era.
Plant convidou Geddy para assistir ao show. O baixista, porém, atravessava um período de abatimento. Em entrevista à Classic Rock, ele afirmou: “Eu estava bastante deprimido naquele momento”. Plant insistiu para que ele saísse de casa e retomasse o contato com a vida.
Geddy então telefonou para Alex Lifeson, e os dois foram ao espetáculo de Page & Plant. Depois da apresentação, encontraram os músicos nos bastidores. A admiração que Lee nutria pelo Led Zeppelin desde a adolescência não deu lugar à frustração. Pelo contrário: ele descreveu Plant e Page como pessoas muito receptivas e destacou a maneira cordial com que o receberam.
A conversa não resolveu o luto de Neil Peart nem os problemas que cercavam o Rush. O baterista ainda passou por um longo processo de reconstrução pessoal e viajou milhares de quilômetros de motocicleta. Para Geddy e Alex, entretanto, o convite representou um movimento possível em um momento de paralisação.
Peart retornaria posteriormente, e o Rush retomaria as atividades para gravar Vapor Trails, lançado em 2002. A intervenção de Plant permaneceu na memória de Geddy Lee como um gesto decisivo de um antigo ídolo, feito quando ele precisava voltar a perceber a música e a vida para além daquele período de dor.



