Humberto Gessinger atribui ao movimento faça você mesmo a possibilidade de seguir tocando sem domínio técnico excepcional. Para ele, essa perspectiva abriu uma saída diante da impressão, formada na adolescência, de que a música exigia um nível inalcançável. A lembrança foi compartilhada em conversa com o canal Paranoid.
Antes disso, o rock progressivo havia produzido um efeito ambíguo. Gessinger ouvia os discos sozinho, em um quarto escuro, e se via distante dos músicos que admirava. O contato com o gênero também era marcado pela falta de informação: revistas argentinas chegavam ao Rio Grande do Sul com até dois anos de atraso, e ele decorava referências técnicas sem saber exatamente o que significavam. Foi somente depois de algum tempo que descobriu que o VCS3, citado nos créditos, era um sintetizador.
O primeiro disco
A aproximação com o Pink Floyd começou ainda na infância, em uma loja de discos de Porto Alegre. A irmã mais velha o acompanhou na escolha de seu primeiro LP e apresentou duas opções da banda: “Atom Heart Mother”, lembrado por Gessinger como o disco da vaca, e “The Dark Side of the Moon”. Sem conhecer os álbuns, ele escolheu o segundo.
O disco se tornou o que ele mais ouviu na vida e uma das principais referências de sua formação. A admiração, porém, veio acompanhada da sensação de que jamais conseguiria viver de música, porque aqueles artistas pareciam bons demais e produziam um som que não fazia parte do cotidiano ao seu redor.
“Eu devo muito ao Roger Waters”, afirmou Gessinger. Ao falar sobre o legado daquele período, o músico destacou a importância de dedicar tempo às coisas. Também reconheceu a própria impaciência diante do hábito contemporâneo de querer saber, em 15 segundos, como uma canção vai se resolver.


