Humberto Gessinger voltou a ouvir com frequência o Focus, banda holandesa de repertório instrumental formada no fim dos anos 60. O músico revelou a redescoberta durante uma conversa com o canal Paranoid, depois de ser convidado a indicar cinco músicas de sua playlist pessoal. Em vez da lista, decidiu mencionar apenas uma escuta.
Liderado pelo tecladista e flautista Thijs van Leer, o Focus se tornou conhecido no Brasil principalmente por “Hocus Pocus”. A faixa, porém, integra uma produção sem vocais convencionais, característica que contribuiu para a dificuldade de classificação apontada por Gessinger.
“Todo mundo conhece 'Hocus Pocus', mas é uma banda instrumental”, disse o músico. Ele contou que havia escutado o grupo na adolescência, mas passou décadas sem voltar ao repertório. A reaproximação ocorreu quando o Spotify apresentou as músicas de forma aleatória. A partir daí, Gessinger afirmou ter permanecido imerso no universo da banda por um longo período.
Personalidade e risco
O interesse atual não se limita à memória afetiva. Gessinger associou a personalidade dos instrumentistas dos anos 70 ao aprendizado sem tutoriais disponíveis. Para explicar a ideia, comparou esses músicos aos tenistas da mesma época: cada jogador tinha um modo próprio de atuar, enquanto a padronização do aprendizado teria reduzido essa variedade.
Ao comentar o que ainda o atrai no Focus, o músico valorizou também o erro e a instabilidade. Descreveu uma situação em que um guitarrista entra no palco com o instrumento desafinado e corrige o problema durante a música. A imagem resume, para ele, o risco que sente falta na produção atual.


