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A faixa dos Kinks que abriu a Iggy Pop um caminho para o punk

Lançada em 1964, “You Really Got Me” apresentou ao músico adolescente um rock mais agressivo, físico e distante do blues.

Antes de se tornar uma das figuras do rock associadas à selvageria no palco, Iggy Pop era Jim Osterberg, um adolescente de Michigan que ouvia rádio escondido sob as cobertas. Entre as músicas que ocupavam as paradas americanas, uma gravação britânica lançada em 1964 produziu nele uma reação imediata: “You Really Got Me”, do The Kinks.

Na série documental PUNK, Iggy relatou que esperava as outras faixas do Top 40 até que surgisse aquele som de guitarra áspero e distorcido. A música, segundo a lembrança do artista, parecia vir de uma realidade diferente. “Você estava livre do blues, livre de Perry Como, livre da mamãe e do papai”, afirmou. Para ele, aquela experiência significava tornar-se perigoso, um “pequeno monstro”.

A canção dos Kinks não foi o primeiro contato decisivo de Iggy com uma sonoridade capaz de deslocar sua ideia de rock. Alguns anos antes, ele havia ouvido “Rumble”, instrumental de Link Wray lançado em 1958. Em diferentes ocasiões, o músico disse que a faixa o marcou a ponto de ele ter deixado a escola emocionalmente naquele momento. O Rock and Roll Hall of Fame recuperou esse relato ao tratar da influência de Wray.

“You Really Got Me”, porém, acrescentou outra possibilidade. Seu riff era agressivo, simples e físico, com uma aspereza que apresentava ao adolescente um rock menos comportado do que grande parte do repertório ouvido nas rádios americanas. A faixa alcançou o primeiro lugar no Reino Unido e o sétimo nos Estados Unidos.

Poucos anos depois, Iggy formou os Stooges em Detroit. Em 1969, a banda lançou seu primeiro álbum, levando ao palco uma combinação de barulho, provocação e agressividade que ajudaria a preparar o terreno para o punk da década seguinte.

A transformação descrita por Iggy como a passagem para um “monstro” não se limitava ao entusiasmo por uma música. Para o adolescente que escutava rádio à noite, a gravação dos Kinks indicou que o rock poderia ser mais sujo, ameaçador e livre das referências que ele conhecia até então.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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