Antes de integrar o Guns N’ Roses, Duff McKagan era um nome recorrente na cena punk de Seattle. Ele contou à Music Radar que participou de 29 bandas, alternando entre baixo, guitarra e bateria conforme a necessidade.
No começo dos anos 1980, porém, McKagan passou a ver aquele ambiente de outra maneira. A heroína se espalhava entre amigos, colegas de banda e pessoas próximas. Sua namorada e seu companheiro de apartamento também estavam envolvidos com a droga, e o músico começou a considerar a saída antes que seguisse o mesmo caminho.
Foi nesse período que ele encontrou 1999, álbum duplo lançado por Prince em 1982. McKagan já conhecia trabalhos anteriores do artista, como Controversy, mas mergulhou no novo disco e passou a associá-lo a uma possibilidade de mudança. “Aquilo virou a trilha sonora da minha vida”, recordou, conforme relato à Far Out.
O efeito do álbum não se limitou à música. A autonomia de Prince fez McKagan repensar os próprios limites e considerar uma trajetória fora da cena punk de Seattle. “Me deu coragem para ir embora”, afirmou o baixista anos depois.
Ainda muito jovem, ele vendeu a bateria, reuniu cerca de 350 dólares e partiu para Los Angeles sem conhecer praticamente ninguém. Pouco depois, encontrou Slash e Steven Adler e começou a circular pelo ambiente que mais tarde daria origem ao Guns N’ Roses.
A mudança não apagou sua formação punk. Ao longo da carreira, McKagan continuou citando Black Flag, The Germs e The Clash como influências fundamentais. A transformação foi a percepção de que não precisava permanecer restrito a uma única cena ou linguagem.
Três anos depois de deixar Seattle, ele estava no Guns N’ Roses durante as gravações de Appetite for Destruction. Para McKagan, 1999 funcionou como a trilha sonora de uma decisão que alterou o rumo de sua vida profissional.


