NOVA YORK — A versão de “In-A-Gadda-Da-Vida” que consolidou o Iron Butterfly nasceu durante um teste de microfones no Ultrasonic Studios. A banda havia entrado no estúdio para preparar o equipamento quando o engenheiro Don Casale pediu que os músicos tocassem algo para ajustar os níveis de captação.
Ron Bushy contou que, em vez de executar apenas alguns fragmentos, o grupo tocou a música inteira. A gravação preservou o caráter de jam, com longas passagens instrumentais e o solo de bateria que se tornou um dos elementos mais reconhecíveis da faixa.
“Fizemos a música toda sem parar”, relembrou Bushy. Depois da execução, os músicos foram chamados à sala de controle e ouviram o resultado. A performance tinha pouco mais de 17 minutos e acabou sendo usada como a versão clássica da canção.
Uma faixa longa para o mercado
A duração incomum provocou resistência entre executivos da Atlantic Records, que questionaram a possibilidade de promover uma música que ocupava praticamente um lado inteiro do LP. Ainda assim, o álbum permaneceu por 81 semanas entre os dez mais vendidos dos Estados Unidos e chegou a ser, durante um período, o disco de maior sucesso da história da gravadora.
Para o rádio, “In-A-Gadda-Da-Vida” recebeu uma edição de cerca de três minutos. Essa versão ajudou a música a alcançar o Top 40 americano, enquanto a gravação completa continuou presente nas rádios underground, mesmo com seus 17 minutos de duração.
As estimativas para as vendas do álbum variam. Doug Ingle afirmou que o número informado a ele se aproximava de 32 milhões, enquanto outras referências apontam cerca de 30 milhões no mundo. A diferença entre as contagens não altera o lugar da obra na trajetória comercial do Iron Butterfly: uma gravação feita para ajustar microfones se transformou no registro que ajudou a definir a carreira da banda.


