Jimi Hendrix construiu sua linguagem a partir de referências variadas, sem tratar a própria música como uma criação surgida do nada. Ao falar sobre seus mestres, o guitarrista destacava nomes do blues, mas também reconhecia o impacto do rock and roll, do soul e do R&B em sua formação.
Em 1968, durante entrevista à Guitar Player, Hendrix mencionou Muddy Waters, Elmore James, Eddie Cochran e B.B. King como músicos que o influenciaram enquanto procurava definir seu modo de tocar. A lembrança de Waters, porém, remontava à infância. À Rolling Stone, ele contou que um disco antigo do músico o impressionou pelos sons que produzia: “Foi o primeiro guitarrista de quem realmente tive consciência.”
O blues como ponto de partida
Albert King ocupava uma posição particular entre essas referências. Hendrix admirava seu ataque ao blues e descrevia sua abordagem como direta, funky e moderna. Em entrevista ao Downbeat, também explicou que a admiração não significava reproduzir literalmente o estilo de outros guitarristas: “Você curte o que eles fazem e depois faz a sua própria coisa.”
Elmore James aparece como outra influência identificável na maneira de tocar de Hendrix. O uso intenso do slide, o ataque das notas e a sonoridade da guitarra estavam entre os elementos absorvidos pelo músico. Em 1967, ao ser questionado sobre suas influências, ele citou James, Muddy Waters e Robert Johnson entre os bluesmen que costumava ouvir.
A formação, no entanto, ultrapassava o blues. Hendrix também mencionava Buddy Holly e Eddie Cochran. A experiência no circuito de R&B americano o aproximou de uma guitarra mais rítmica e econômica, representada por Curtis Mayfield. A delicadeza de Mayfield no preenchimento dos espaços, com acordes e pequenas frases, deixou marcas no lado mais suave de Hendrix, perceptível em músicas como “Little Wing”.
Essa combinação impediu que sua música pudesse ser definida apenas como blues. Hendrix reuniu elementos de diferentes escolas e os transformou em uma sonoridade que não se confundia inteiramente com nenhuma delas. Para ele, a influência vinha de muitas direções ao mesmo tempo; o resultado era uma guitarra construída a partir de diversos mestres, mas reconhecível como própria.


