O estilo de Mark Knopfler foi construído a partir de uma escuta atenta de músicos que o antecederam. Entre as referências mais importantes para o guitarrista estão B.B. King, Lonnie Johnson e Eddie Lang, nomes que ajudam a compreender como ele passou a tratar a guitarra como parte de uma tradição musical em transformação.
A influência de B.B. King surgiu ainda na adolescência. Knopfler contou que ouviu o músico aos 16 anos e percebeu uma nova relação entre guitarra e voz, marcada pelos bends e pela maneira como os dois elementos se articulavam. "Quando ouvi B.B. King, aos 16 anos, aquilo foi outro grande ponto de virada", relembrou.
Por volta dos 20 ou 21, Knopfler ouviu Lonnie Johnson tocando com Eddie Lang no álbum Blue Guitars. A descoberta ampliou sua percepção sobre a origem das ideias que admirava em B.B. King. Depois de ler uma entrevista em que King citava Johnson como uma de suas grandes influências, Knopfler identificou uma continuidade entre diferentes gerações de guitarristas.
Uma formação sem fronteiras de estilo
Ao falar sobre aprendizado, Knopfler defendeu a importância de ouvir muitos discos antigos e compreender o que veio antes. Sua formação não se restringiu ao blues: country, rockabilly e jazz também aparecem entre os campos musicais que contribuíram para sua trajetória.
Além do trio formado por B.B. King, Lonnie Johnson e Eddie Lang, ele reconheceu a importância de Chet Atkins, James Burton, Duane Eddy, J.J. Cale e Eric Clapton. Essas referências ajudam a situar uma prática baseada menos na velocidade ou no volume do que na dinâmica, nos bends, no fraseado e no uso do espaço.
Nesse modo de tocar, a guitarra muitas vezes assume uma função próxima à de uma segunda voz. Quando o Dire Straits surgiu no fim dos anos 1970, sua música reunia elementos de blues, country e rock clássico em um período associado ao punk e à disco music. O resultado não era uma simples reconstrução do passado, mas uma combinação de heranças reorganizadas em uma linguagem própria.
Para Knopfler, a originalidade não dependia de romper com os antecessores. Ela também podia nascer da investigação sobre os músicos que influenciaram seus próprios ídolos e das conexões entre essas diferentes linhagens.


