Jimmy Page considera que “Physical Graffiti”, sexto álbum de estúdio do Led Zeppelin, registra uma forma de trabalhar que dificilmente poderia ser reproduzida atualmente. Lançado em 1975, o disco foi também o primeiro da banda pela Swan Song, gravadora criada pelo próprio grupo.
Em uma história oral sobre o álbum, Page associou o resultado à liberdade, à ambição e ao ritmo de trabalho do período. “Com 'Physical Graffiti', você consegue ver todas as coisas diferentes que éramos capazes de fazer e que as pessoas não conseguem fazer hoje - trabalhando constantemente de maneira positiva, sem nenhuma outra razão além de fazer boa música”, afirmou o guitarrista.
O formato duplo permitiu reunir músicas recém-gravadas e outras que haviam ficado fora de sessões anteriores. O repertório passa por faixas como “In My Time of Dying” e “The Wanton Song”, marcadas pelo peso, e por momentos como “Ten Years Gone”, “Bron-Yr-Aur” e “Down by the Seaside”.
Page também destacou que o trabalho não foi concebido a partir da necessidade de participar de programas de televisão ou conceder entrevistas. Embora o Led Zeppelin já tivesse grande projeção naquele momento, a banda mantinha controle sobre a própria música e pouca disposição para seguir as regras tradicionais da indústria.
O álbum reúne 15 faixas distribuídas por dois discos, com materiais de anos diferentes e sem a obrigação de sustentar um único clima. “Kashmir”, “Trampled Under Foot”, “Ten Years Gone” e “In My Time of Dying” apresentam características distintas, mas aparecem no mesmo conjunto.
Em outras ocasiões, Page já havia demonstrado carinho especial pelo disco e o descrito como um retrato do Led Zeppelin funcionando como banda. Na avaliação do guitarrista, “Physical Graffiti” representa ainda um período em que quatro músicos tinham tempo, autonomia e dinheiro suficientes para priorizar a música.


