Lars Ulrich ainda considera motivo de orgulho a turnê que reuniu Metallica e Guns N’ Roses em 1992. Em resposta à Kerrang!, o baterista afirmou que a realização da excursão, por si só, foi a principal lembrança daquele período — mais do que os excessos e as dificuldades dos bastidores.
As duas bandas estavam entre as maiores do rock naquele momento. O Metallica vivia a repercussão do álbum preto, enquanto o Guns N’ Roses atravessava a fase de maior alcance dos dois volumes de “Use Your Illusion”. A proposta colocou no mesmo circuito grupos com estruturas, rotinas e personalidades próprias, em uma sequência de apresentações em estádios.
“Foi muito legal e algo sem precedentes, e eu fiquei muito orgulhoso de termos conseguido fazer aquela turnê acontecer”, disse Lars. Segundo ele, Metallica e Guns N’ Roses também encontraram uma forma de alcançar o público fora dos meios tradicionais de divulgação nos Estados Unidos, especialmente o rádio, e seguiram juntos apoiados pela resposta dos fãs.
A excursão teve 25 shows na América do Norte e contou com o Faith No More na abertura. O episódio mais grave ocorreu em Montreal, quando James Hetfield sofreu queimaduras após ser atingido pelas chamas de um efeito pirotécnico. Na mesma noite, o Guns N’ Roses terminou sua apresentação antes do horário previsto, e o encerramento foi seguido por tumulto.
Kirk Hammett descreveu a experiência de outra maneira anos depois. Para o guitarrista, a turnê foi “muito estressante”, em razão dos problemas relacionados a Axl Rose e das consequências do acidente de Hetfield. O Metallica precisou cancelar apresentações, enquanto a estrutura da excursão continuava em circulação e gerava despesas.
Lars Ulrich, no entanto, preserva a lembrança da proximidade entre os músicos e das situações inesperadas que, segundo ele, ocorriam todas as noites. Três décadas depois, sua memória está associada à possibilidade de duas bandas que haviam crescido fora dos caminhos tradicionais da indústria compartilharem os mesmos estádios no auge de suas trajetórias.

