A ausência do RPM no Rock in Rio atravessa momentos distintos da trajetória da banda: na primeira edição, o grupo ainda começava a se firmar; na segunda, estava separado; e, em 2011, ficou fora da escalação mesmo após reunir sua formação clássica.
O canal “A história de uma revolução” apresenta essas circunstâncias e também recupera um possível conflito de bastidores como explicação para a trajetória do grupo longe do festival idealizado por Roberto Medina. O relato, porém, não foi confirmado publicamente por Paulo Ricardo, Medina ou algum integrante identificado da produção.
Na estreia do evento, realizada no Rio de Janeiro entre 11 e 20 de janeiro de 1985, o RPM havia lançado somente o compacto de “Louras Geladas”, em 1984. A banda ainda circulava pelo meio musical paulistano e não tinha alcançado a projeção que obteria depois. A avaliação apresentada pelo canal é que, caso o festival tivesse ocorrido um ano mais tarde, o grupo provavelmente teria sido um dos principais nomes da música jovem brasileira e poderia não ter ficado fora.
A apresentação solo de 1991
Na segunda edição, em janeiro de 1991, o contexto era outro: o RPM estava separado havia quase dois anos. Paulo Ricardo se apresentou no Maracanã em 26 de janeiro como artista solo, acompanhado por Fernando Deluqui na guitarra e Paulo P.A. Pagni na bateria. O repertório reunia sucessos do RPM, mas Luiz Schiavon, que estava brigado com o vocalista, não participou.
Paulo Ricardo resumiu a dimensão daquela noite em entrevista recuperada pelo canal: “Pediram para trocarmos de horário com o A-Ha e peguei o horário nobre daquela noite.” A formação e o repertório fizeram com que a apresentação fosse lembrada por muitas pessoas como um show do RPM, embora o canal a descreva como algo que “era meio RPM”.
A mesma noite aparece associada a um suposto atrito. Duas fontes ligadas ao grupo afirmaram ao canal que atrasos na programação teriam reduzido o tempo do show, levando Paulo Ricardo a protestar nos bastidores e a confrontar Roberto Medina. Segundo esse relato, o empresário teria decidido não contratá-lo novamente.
Paulo Ricardo só retornou ao Rock in Rio em 20 de janeiro de 2001, como convidado dos Engenheiros do Hawaii, quando o RPM estava parado. Em 2011, com a formação clássica reunida, uma nova turnê e o álbum “Elektra” recém-lançado, a banda chegou a ser cogitada para o retorno do festival ao Brasil, mas não entrou na programação final.


