Tom Morello afirmou que Ed Sheeran não deve ser tratado como vítima na polêmica que levou o cantor a perder todas as atrações de abertura de sua atual turnê. Em entrevista à Rolling Stone, o músico disse que o episódio desviou a atenção do posicionamento de Macklemore a favor da Palestina durante a primeira apresentação.
Para Morello, a discussão sobre Sheeran pode ser vista como uma distração, porque desloca o foco dos crimes de guerra mencionados no palco por Macklemore. Ao mesmo tempo, ele considera o caso central por envolver a influência de pessoas muito ricas sobre os discursos permitidos em apresentações musicais.
“Ed Sheeran não é uma vítima nem alguém em quem devamos focar”, disse Morello. Na avaliação dele, também não se deveria concentrar a atenção em uma possível reação emocional do cantor, mas no conteúdo político que motivou a controvérsia.
O integrante do Rage Against the Machine defendeu que artistas se posicionem independentemente das consequências. Ele afirmou que a sociedade atravessa uma encruzilhada democrática e que a história é construída pelas ações das pessoas, sem espaço para neutralidade no momento atual.
Questionado sobre a atenção dirigida a Sheeran em vez da situação em Gaza e na Palestina, Morello respondeu que o cantor merece críticas, mas não deve ser o centro do debate. O músico citou ainda o uso do dinheiro dos impostos em crimes de guerra no Oriente Médio como uma questão que deveria mobilizar a opinião pública.
Morello também associou a controvérsia a um cenário em que a liberdade de expressão, a verdade, a cor da pele, a condição de imigrante, o gênero e a orientação sexual seriam tratados como crimes. Para ele, os problemas centrais são a ascensão do autoritarismo, a erosão das liberdades e o desastre ambiental iminente.
Em seus shows, o artista disse convocar o público a atuar como combatente antifascista e a identificar quais seriam os crimes reais em curso e o que poderia ser feito para impedi-los.
No último dia 25 de setembro, Morello lançou o álbum solo “Everyone Gets Everything They Want”. O trabalho tem participações de seu filho, Roman, de Serj Tankian, do System of a Down, do grupo Kneecap e de Caleb Shomo, do Beartooth.



