“Stairway to Heaven” ajudou a criar as condições para que “Kashmir”, outra composição extensa do Led Zeppelin, encontrasse espaço nas rádios. Lançada em 1971, a primeira não saiu como single comercial, mas se tornou uma das faixas mais pedidas e tocadas pelas rádios FM americanas.
A música ultrapassava o formato tradicional de rádio, assim como “Kashmir” faria alguns anos depois. Em 1975, Danny Goldberg, presidente da Swan Song nos Estados Unidos, afirmou que “Stairway to Heaven” liderava havia dois anos as pesquisas de faixa de álbum mais pedida em emissoras de Nova York.
Esse desempenho mostrou que uma canção com duração incomum poderia ser mantida na programação quando o público demonstrasse interesse em ouvi-la por inteiro. Quando “Kashmir” apareceu em “Physical Graffiti”, em 1975, o Led Zeppelin já contava com esse precedente. A faixa, longa, pesada e repetitiva de propósito, não precisou ser lançada como single para se tornar uma das músicas mais conhecidas do grupo e presença constante nas rádios de rock.
Duas visões de Robert Plant
Robert Plant, no entanto, estabelecia uma distinção clara entre as duas composições. Ele rejeitou a ideia de que “Stairway to Heaven” fosse a música definitiva do Led Zeppelin. “Não é”, afirmou. Para o vocalista, esse lugar pertencia a “Kashmir”.
Plant associava a faixa às viagens, explorações e influências que ele e Jimmy Page absorveram fora do circuito tradicional do rock. Por isso, considerava “Kashmir” mais próxima da essência do grupo.
As duas canções se relacionam por caminhos diferentes: “Stairway to Heaven” demonstrou que o público aceitava uma faixa longa no rádio; “Kashmir” aproveitou esse espaço e passou a representar, para Plant, uma expressão mais fiel do que o Led Zeppelin podia ser.


