Alex Lifeson, guitarrista do Rush, reconhecia em Eddie Van Halen uma influência decisiva para a guitarra de rock, mas não mantinha o mesmo entusiasmo pela banda que levava o nome do músico. Para ele, a importância técnica de Eddie não significava necessariamente uma ligação com as canções do Van Halen.
“Eu certamente aprecio Eddie e aquilo que ele faz e sempre fez”, disse Lifeson ao comentar a contribuição do guitarrista. Na mesma declaração, afirmou que Eddie havia deixado uma marca enorme entre os guitarristas. A avaliação, porém, não se estendia ao grupo como um todo: “Não sei se diria que Van Halen, como grupo, era algo que eu ouvia ou algo que me emocionava”.
A distinção ajuda a compreender os critérios que Lifeson costumava associar à própria música. Mesmo integrado a uma banda conhecida pela complexidade, ele valorizava linhas de guitarra que estivessem a serviço da canção e produzissem uma resposta emocional. Ao tratar do solo de “Limelight”, por exemplo, descreveu a passagem como triste e solitária, destacando o clima criado pelo arranjo em vez da demonstração de habilidade.
A abordagem de Eddie Van Halen seguia outra direção. Seu modo de tocar alterou a guitarra de rock no fim dos anos setenta, com o uso do tapping, a construção do timbre e uma técnica que influenciou muitos músicos. Lifeson reconhecia esse alcance sem estabelecer, contudo, a mesma relação com o repertório do Van Halen.
Entre as referências que mais o marcaram estavam Jimmy Page, Jimi Hendrix e Jeff Beck. Lifeson já apontou Page como sua maior influência inicial e elogiou Beck pela capacidade de alcançar um alto grau de expressão emocional no instrumento.
A posição de Lifeson separa dois aspectos frequentemente associados: reconhecer a transformação provocada por um músico e gostar das músicas feitas por sua banda. No caso de Eddie Van Halen, a admiração pela guitarra coexistia com a falta de interesse pelo repertório do grupo.


