A relação de Alex Lifeson com a guitarra passa menos pela demonstração de habilidade do que pelo efeito emocional produzido por uma música. É a partir desse critério que o músico canadense distingue sua admiração por Eddie Van Halen da maneira como se relacionava com o trabalho do grupo que levava o sobrenome do guitarrista.
Lifeson reconhece que Eddie Van Halen alterou a linguagem do instrumento e ajudou a popularizar o tapping, técnica que utiliza golpes diretos nas cordas, sobre o braço da guitarra, para produzir as notas. A influência alcançou guitarristas de diferentes gerações e consolidou o músico como uma referência no desenvolvimento técnico do rock.
Esse reconhecimento, porém, não se converteu em identificação com o Van Halen. “Eu certamente aprecio o Eddie e o que ele faz e o que sempre fez”, afirmou Lifeson. Na mesma declaração, explicou que não costumava ouvir o grupo nem se sentir tocado por sua música.
A emoção como medida
A forma como Lifeson descreve seu próprio trabalho ajuda a compreender essa diferença. Entre os solos que valoriza está o de “Limelight”, do Rush, cuja força, para ele, está na atmosfera criada pela passagem e em sua ligação com a letra.
“Há algo muito triste e solitário nele; ele existe em seu próprio pequeno mundo”, disse o guitarrista ao falar do solo. A passagem, segundo Lifeson, expressa uma sensação de isolamento em meio ao caos e à adulação, aproximando técnica, melodia e sentimento.
Sua avaliação estabelece uma separação entre reconhecer a importância histórica de um artista e ter uma ligação pessoal com o que ele produz. Eddie Van Halen aparece, assim, como uma figura decisiva para a evolução da guitarra, enquanto o Van Halen não ocupa o mesmo lugar na experiência de escuta de Lifeson.
A posição também contrasta com uma crítica frequentemente dirigida ao rock progressivo: a de que a complexidade dos arranjos poderia se sobrepor à emoção. No caso de Lifeson, o critério apresentado é justamente o inverso: a técnica ganha sentido quando serve à canção.



