GOIÂNIA — Um laudo de avaliação aponta que a velocidade de caminhada de Arthur Samuel Rodrigues Lima, de 10 anos, caiu pela metade entre outubro de 2022 e outubro de 2025. O menino, diagnosticado com paraparesia espástica aos 1 ano e 6 meses, passou de 56 centímetros por segundo para 28 centímetros por segundo no período. A família busca recursos para manter o acompanhamento médico e viabilizar terapias de reabilitação.
O documento também registra que a cadência da marcha diminuiu de 83 passos por minuto para 50 passos por minuto, enquanto a duração do ciclo de caminhada subiu de 1,45 segundo para 2,42 segundos. A avaliação aponta maior dificuldade para movimentar os membros inferiores, aumento da flexão dos quadris e joelhos e da dorsiflexão bilateral durante o apoio.
Avaliação para uso de exoesqueleto
Rafaela Rodrigues de Araújo, de 28 anos, começou a divulgar uma vaquinha há algumas semanas para pagar uma avaliação que pode indicar se Arthur está apto a realizar sessões de reabilitação com exoesqueleto. O exame custa R$ 400. Cada sessão tem o mesmo valor, mas a quantidade necessária só será definida depois da consulta inicial.
O equipamento auxilia o treino da marcha. Durante a terapia, o paciente precisa fazer esforço para caminhar, enquanto a máquina pode ser ajustada conforme sua capacidade e necessidade. A equipe responsável informa que o sistema acompanha parâmetros como velocidade, cadência, ângulos dos quadris e joelhos e descarga de peso. Também permite monitorar o esforço do paciente e regular sua participação no movimento.
Arthur é acompanhado pela Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, em Brasília, há cerca de cinco anos. A arrecadação também deverá cobrir possíveis sessões, consultas e despesas de transporte e alimentação no Distrito Federal. As contribuições podem ser feitas pelo Pix 713.955.001-85, em nome de Arthur Samuel Rodrigues Lima, pelo Banco do Brasil.
Quedas e interrupção da fisioterapia
O relatório descreve uma marcha domiciliar limitada com andador, alternada com o engatinhar cruzado. As quedas ocorrem com ou sem o equipamento e podem acontecer várias vezes ao dia, por desequilíbrio, tropeços e falsos passos. Arthur também arrasta as duas pernas durante os ciclos de caminhada, em razão do atraso para a flexão proximal.
Rafaela relatou à equipe do Sarah aumento do cansaço e das quedas ao longo do tempo. “Ele está com uma fraqueza muito grande”, contou. Segundo ela, o filho já caiu na escola e ficou com os joelhos machucados.
O menino deveria ter retornado ao Sarah no início deste ano, mas passou por uma cirurgia de emergência de apendicite. De acordo com a mãe, ele teve uma infecção e permaneceu 31 dias internado, o que levou ao cancelamento da viagem para Brasília. O acompanhamento foi remarcado para outubro, com consultas previstas entre os dias 28 e 30 deste mês.
Enquanto isso, Arthur está sem fisioterapia. Antes, fazia fisioterapia adaptada por meio de um plano de saúde e praticava atividades físicas. Segundo Rafaela, o pai retirou o plano.
Mudança para Goiânia
Rafaela mora com o filho em Goiânia desde maio, quando deixou Goianira em busca de atendimento especializado. Desempregada e separada, ela cria Arthur sozinha e paga as despesas da casa com a pensão do pai do menino e um benefício ao qual ele tem direito. A mãe afirma não ter uma rede de apoio e relata dificuldade para encontrar trabalho de meio período, porque não tem formação acadêmica e precisa conciliar a atividade profissional com os cuidados do filho.
Desde a mudança, a família tenta obter atendimento pela rede pública. Arthur passou por consulta no Centro de Reabilitação e Ortopedia e Fisioterapia (CROF) e recebeu encaminhamento para o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer). Conforme Rafaela, o tratamento ainda depende dos encaminhamentos e da avaliação na rede.


