BELÉM — A Festa da Chiquita completará 50 anos em 2026 com uma programação dedicada à memória do evento, à diversidade sexual e à discussão sobre patrimônio cultural. O principal momento da celebração está marcado para 10 de outubro de 2026, na Praça da República, logo após a passagem da trasladação.
A programação do jubileu foi apresentada na sexta-feira, dia 2, pela coordenação e pela equipe organizadora. Com o tema Festa da Chiquita: 50 anos Patrimônio Cultural da Humanidade, a edição comemorativa deverá reunir centenas de pessoas para celebrar cinco décadas de história, resistência, diversidade e luta por direitos.
Participaram da apresentação José Eloi Iglesias Comesanha, coordenador-geral da festa; Milton Ribeiro da Silva Filho, antropólogo, pesquisador e autor de tese de doutorado sobre o evento; Hugo Alberto Tomkiwitz Júnior, responsável pela Comunicação e pela TV Chiquita; e José Roberto Chaves Paes, que coordena a programação e mediará o seminário Diálogos na Chiquita.
Símbolo e memória da festa
Entre as novidades está a criação de um símbolo exclusivo, sob curadoria de Milton Ribeiro. A imagem reunirá referências à artista e cantora negra Josephine Baker, conhecida como Chiquita Bacana, e ao sociólogo Luiz Bandeira, apontado como criador da Festa da Chiquita na década de 1970.
A proposta associa as duas figuras a elementos de fantasia, liberdade e diversidade. A programação também pretende destacar a atuação histórica da festa como espaço de expressão da comunidade LGBTI+ e de debate sobre direitos e cidadania.
As atividades começam na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, com o Diálogos na Chiquita. O encontro terá discussões sobre enfrentamento à violência, saúde mental, patrimônio cultural e outras questões relacionadas à comunidade LGBTI+ e à sociedade brasileira.
No fim da tarde, estudantes de Comunicação Social e Jornalismo da Universidade Federal do Pará participarão da mediação de um bate-papo no Cine Chiquita. A atividade será voltada à produção acadêmica e audiovisual ligada aos 50 anos do movimento As Filhas da Chiquita.
A noite contará com shows musicais, performances e apresentações de drag queens paraenses. Para estimular a participação nas atividades diurnas, a organização definiu que o acesso à área VIP da festa principal, na Praça da República, será destinado a quem acompanhar a programação.
Criada na década de 1970, a Festa da Chiquita construiu uma trajetória ligada à diversidade sexual e à ocupação do espaço público em Belém. A edição comemorativa combinará seminários, debates, produção audiovisual, música, performances e apresentações artísticas para recuperar essa história e abordar desafios contemporâneos da comunidade LGBTI+.


