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A ameaça que levou Goiânia a erguer uma defesa no centro administrativo em 1961

Informações sobre uma possível ação militar mobilizaram o governo de Mauro Borges, mas a invasão nunca foi comprovada nem ocorreu.

A ameaça que levou Goiânia a erguer uma defesa no centro administrativo em 1961
Foto: Acervo O Popular

Uma informação não confirmada sobre a presença de uma Brigada de Paraquedistas em Brasília levou o governo de Goiás a elaborar um plano de defesa para Goiânia. A possibilidade de que os militares avançassem até a capital, ocupassem a Praça Cívica e tomassem o Palácio das Esmeraldas alterou a rotina do centro administrativo em agosto de 1961.

A pesquisa da Universidade Estadual de Goiás (UEG) não encontrou fontes fidedignas que comprovem uma ordem efetiva para atacar a cidade. O episódio permanece associado a hipóteses que incluem uma ameaça real, uma operação de guerra psicológica ou um desencontro de informações durante a crise política aberta pela renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto.

A defesa montada pelo governo

O governador Mauro Borges, alinhado à Campanha da Legalidade, defendia a posse constitucional do vice-presidente João Goulart. Em 30 de agosto, divulgou um manifesto nacional favorável à posse de Jango. A reação estadual incluiu restrições ao trânsito de veículos nas proximidades da Praça Cívica e limitações à circulação de pedestres durante a noite, com exceção de pessoas credenciadas.

Policiais, voluntários e soldados leais ao governo passaram a vigiar barricadas. Alguns estavam armados com metralhadoras. Canhões foram instalados sobre a marquise do Palácio das Esmeraldas e em prédios próximos, com a função de formar uma bateria antiaérea. Um gerador também foi levado ao pátio para preservar o fornecimento de energia caso o abastecimento fosse interrompido.

A preparação alcançou as rodovias de acesso a Brasília. Por meio da operação chamada “Missão Doutor Irineu”, militares foram deslocados para Itumbiara e Cristalina. Explosivos foram colocados nas bases de pontes para permitir a destruição das estruturas, se fosse necessário impedir o avanço de forças militares. Nenhuma ponte foi destruída, porque o avanço esperado não aconteceu.

Rádio e mobilização política

As medidas de defesa foram acompanhadas por uma estratégia de comunicação. Mauro Borges utilizava diariamente a Rádio Brasil Central para informar a população sobre a crise e buscar apoio à posição do governo de Goiás. A iniciativa se aproximava da mobilização conduzida por Leonel Brizola no Rio Grande do Sul durante a Rede da Legalidade.

Borges era coronel da reserva do Exército e havia sido eleito governador em 1960. No ano seguinte, ganhou projeção nacional ao defender a posse de João Goulart.

O que a documentação confirma

A presença de homens armados, as barricadas e os equipamentos de defesa aparecem nos registros consultados. Já a história de que Mauro Borges teria subido armado ao telhado do Palácio das Esmeraldas não foi confirmada pela documentação. As fontes o apresentam como responsável político pelas medidas adotadas, mas não comprovam que ele tenha ocupado pessoalmente o local.

A crise terminou pela via política. João Goulart retornou ao Brasil e assumiu a Presidência em setembro de 1961, depois de um acordo que implantou o parlamentarismo e reduziu temporariamente os poderes presidenciais. A ação militar temida em Goiás não ocorreu, e a operação terminou sem confronto.

Três anos depois, a posição de Mauro Borges mudou. Em 1964, ele inicialmente apoiou o movimento que derrubou João Goulart. Meses mais tarde, passou a sofrer pressão do novo regime e acabou afastado após uma intervenção federal em Goiás. Seu governo terminou em novembro daquele ano.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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