A presença de pessoas com deficiência no ensino superior aumentou entre 2014 e 2024, mas ainda representa uma parcela pequena das matrículas. O número passou de 33.377, equivalentes a 0,43% do total, para 95.572, ou 0,93%, de acordo com a publicação Pessoas com deficiências e desigualdades sociais no Brasil, do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).
O estudo, divulgado nesta sexta-feira, 18, reúne informações sobre trabalho, renda, educação, transporte, moradia, participação em cargos eletivos e de gestão, casamento e organização familiar. Ao todo, pelo menos 14,4 milhões de pessoas no Brasil têm alguma deficiência, o equivalente a 7,3% da população.
Diferenças na educação e no trabalho
Apesar do avanço na graduação, a desigualdade aparece desde a alfabetização. Entre as pessoas com deficiência de 15 a 29 anos, 12,2% eram analfabetas, enquanto a proporção era de 1% na população em geral da mesma faixa etária.
Entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos com deficiência, 92,6% frequentavam a escola. Na faixa de 15 a 17 anos, a frequência chegava a 82,8% entre os jovens com deficiências severas.
As redes de ensino apresentam perfis diferentes quanto à acessibilidade. Nas escolas privadas, 84,9% tinham algum recurso de acessibilidade, e 64,4% contavam com banheiro acessível. As escolas públicas, por sua vez, eram maioria na oferta de salas com recursos multifuncionais, presente em 34,5% delas, e de profissional de apoio ao aluno com deficiência, disponível em 32,8%.
No mercado de trabalho, a taxa de ocupação das pessoas com deficiência era de 29%, contra 55% entre as pessoas sem deficiência. O menor índice, de 12,9%, foi registrado entre aquelas com limitações associadas às funções mentais. O maior, de 35,9%, apareceu entre as pessoas com dificuldade para enxergar. Também houve diferença conforme o grau: 21,2% entre pessoas com deficiência profunda e 30,5% entre aquelas com deficiência severa.
Os pesquisadores associam a menor inserção profissional a obstáculos de acessibilidade nos locais de trabalho e nos deslocamentos, além de barreiras comunicacionais, tecnológicas e institucionais e do capacitismo, definido como discriminação em razão da deficiência.
Deslocamento, renda e composição familiar
O trajeto entre casa e trabalho levava, em média, quatro minutos a mais para as pessoas com deficiência: 37 minutos, contra 33 minutos entre as pessoas sem deficiência, considerando todos os meios de transporte.
A renda média mensal também era menor. As pessoas com deficiência recebiam R$ 2.053, valor correspondente a 71% do rendimento médio das pessoas sem deficiência. A diferença se repetia em todos os grupos de atividade econômica.
Na linha nacional de monitoramento da pobreza de US$ 8, 3 por dia, 33,2% das pessoas com deficiência eram consideradas pobres, ante 34,5% das pessoas sem deficiência. Segundo o IBGE, o resultado reflete a estrutura mais envelhecida da população com deficiência. A incidência de pobreza extrema é menor entre idosos porque eles recebem pensão do governo.
As dificuldades também aparecem nos arranjos familiares. Entre as pessoas com deficiência de 18 a 59 anos, 52,5% viviam em união estável, ante 59,8% das pessoas sem deficiência.
Em 2022, 58,4% das pessoas com deficiência de 2 a 17 anos moravam com mãe ou madrasta e pai ou padrasto. Entre as pessoas sem deficiência, a proporção era de 68,1%. Já a residência somente com mãe ou madrasta era mais frequente entre crianças e adolescentes com deficiência: 30,1%, contra 21,5% entre os demais. Para os pesquisadores, os dados revelam a rejeição enfrentada pelas pessoas com deficiência.
O levantamento identifica ainda os principais tipos de dificuldade entre esse grupo: 7,9 milhões tinham dificuldade para enxergar; 5,1 milhões apresentavam dificuldade para caminhar ou subir degraus; 2,7 milhões tinham dificuldade para pegar objetos pequenos; 2,6 milhões apresentavam limitações das funções mentais; e 2,5 milhões tinham problemas de audição. Em 3,9 milhões de pessoas, duas ou mais deficiências ocorriam ao mesmo tempo.


