Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025 indicam avanço do Brasil em leitura, matemática e ciências. O estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) avalia conhecimentos e habilidades de estudantes de 15 anos em diferentes países.
O Brasil ficou na 7ª posição em leitura, com 408 pontos, e também na 7ª colocação em matemática, com 377 pontos. Em ciências, alcançou 409 pontos e ocupou o 8º lugar. De acordo com os resultados, o país aparece entre os primeiros 10 colocados de 50 países.
A pesquisa mostra ainda uma mudança na relação dos estudantes com a escola. Em 2025, 16% consideraram que ela é uma perda de tempo, uma redução de 6,9 pontos em comparação com 2022. O índice brasileiro ficou abaixo da média da OCDE, de 24%. Além disso, 72% afirmaram ter interesse por diversos assuntos, enquanto 59% disseram se esforçar mais diante de desafios.
Também aumentou a parcela de estudantes matriculados em escolas que adotaram medidas para restringir o uso de aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets. O percentual chegou a 81%, ante 37% na edição de 2022.
Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, afirmou que os resultados mostram a redução da distância entre o desempenho brasileiro e a média da OCDE. Em leitura, essa diferença passou de 102 para 58 pontos; em matemática, de 131 para 92; e, em ciências, de 113 para 77 pontos.
A gerente ressaltou, porém, que o Brasil ainda não alcançou a média da OCDE e mantém fragilidades no ensino. Os dados, segundo ela, são compatíveis com os resultados do Saeb e evidenciam dificuldades especialmente em matemática, no ensino médio, com defasagens que começam nos anos iniciais e se ampliam nos anos finais. Dias também mencionou as consequências da pandemia de Covid-19 e o período de cerca de dois anos em que as escolas brasileiras permaneceram fechadas.
Matemática e tecnologia
Jalman Lima, mestre em Matemática e gerente de Negócios Acadêmicos da CASIO Educação, defendeu a integração da tecnologia ao planejamento pedagógico. Para ele, o aprendizado da disciplina envolve interpretar tabelas, gráficos e expressões algébricas, além de relacionar diferentes formas de representar um mesmo conceito.
O especialista afirmou que calculadoras podem apoiar atividades de cálculo mental, estimativa e raciocínio lógico. O uso desses recursos, segundo Lima, deve ser acompanhado do registro das estratégias, da comparação entre resultados, da justificativa das escolhas e da comunicação das conclusões.


