O desempenho dos estudantes brasileiros no Pisa 2025 é marcado pela distância em relação aos níveis mínimos de proficiência e por diferenças associadas à condição socioeconômica. A conclusão está em nota técnica do Todos Pela Educação sobre os resultados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta terça-feira, 8.
Na avaliação, 72% dos estudantes do Brasil ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência em Matemática. Em Ciências, 52% não alcançaram o nível desejado, enquanto 51% não atingiram o patamar mínimo de Leitura. Na média da OCDE, esses percentuais são de 35%, 26% e 31%, respectivamente.
Diferenças entre os estudantes
A desigualdade aparece de forma mais acentuada quando os resultados são organizados por nível socioeconômico. Entre os estudantes mais pobres, 89% apresentam baixo desempenho em Matemática, 70% em Ciências e 67% em Leitura. Esses índices são muito superiores aos registrados entre os mais ricos.
A análise também indica que praticamente não há estudantes entre os mais pobres com desempenho em alto nível em qualquer dos três domínios avaliados. A nota técnica considera esse quadro um dos principais pontos dos resultados brasileiros.
Comparação internacional
O Brasil manteve estabilidade em relação à edição de 2022, enquanto houve queda no desempenho internacional no mesmo período. Em comparação com os países vizinhos da América Latina, o resultado brasileiro permaneceu basicamente estável no decênio. Os países da região e a OCDE apresentaram redução no desempenho.
A queda observada na OCDE é atribuída principalmente à diminuição do número de estudantes que alcançam resultados mais avançados no exame.
Médias e participação
Em Leitura, o Brasil registrou 408 pontos, dois a menos que na edição anterior. Em Matemática, alcançou 377 pontos, também com redução de dois pontos. Ciências foi a única área com aumento: a média chegou a 409 pontos, seis acima do resultado anterior.
O Pisa avalia estudantes de 15 anos em Leitura, Matemática e Ciências. A edição de 2025 reuniu 91 países e/ou economias, incluindo o Brasil. No país, participaram 30.140 estudantes de 1.053 escolas.



