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Secas sucessivas reduzem resiliência da Amazônia antes de novo El Niño

MapBiomas identifica alta exposição à seca em 38% dos locais analisados, enquanto pesquisador alerta para recuperação ecológica incompleta.

Secas sucessivas reduzem resiliência da Amazônia antes de novo El Niño
Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A Amazônia pode entrar em um novo ciclo de seca enquanto ainda se recupera dos efeitos dos eventos de 2023 e 2024. Para Bruno Ferreira, pesquisador da equipe Amazônia do MapBiomas e do Imazon, a recuperação dos rios não equivale necessariamente à recomposição ecológica da floresta.

“Os rios podem voltar aos seus níveis normais dependendo do ritmo e da quantidade de chuvas, como em 2025, mas isso não significa necessariamente recuperação ecológica completa do sistema”, afirmou Ferreira.

O MapBiomas analisou 5.673 locais no bioma e classificou 38% deles como áreas de alta exposição à seca. O levantamento também mostrou que 93% das localidades estavam a até 5 km de áreas onde houve redução da superfície de água.

Um bioma sob pressão acumulada

Durante a seca de 2024, a Amazônia registrou mortes de animais, redução do nível dos rios e dificuldades de abastecimento para comunidades que dependem do transporte fluvial. A vegetação e o funcionamento dos ecossistemas, porém, não se recompõem no mesmo ritmo em que os níveis dos rios podem subir.

Ferreira explicou que a recuperação envolve a umidade do solo, a vegetação afetada por queimadas e degradação e o funcionamento ecológico do sistema. A ocorrência de secas consecutivas em 2023 e 2024 torna esse processo mais lento e faz com que a floresta chegue ao próximo El Niño ainda sob os impactos dos eventos anteriores.

As previsões para o período entre setembro e novembro indicam chuva abaixo da média no bioma e temperaturas até 1 °C acima do normal. A possibilidade de uma estiagem tão grave quanto a de 2024, ou ainda mais severa, também é considerada.

O NOAA, agência americana de oceanos e atmosfera, aponta mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte nos próximos meses. A intensidade do fenômeno, no entanto, não determina sozinha a dimensão da seca amazônica. As condições do Oceano Atlântico e a umidade acumulada anteriormente na região também interferem nesse quadro.

Perda de vegetação amplia a vulnerabilidade

Dados do MapBiomas indicam que a Amazônia tem a maior proporção de vegetação nativa entre os biomas do País, mas está entre os que mais perderam cobertura nativa nas últimas décadas. Em 41 anos, foram perdidos 53,9 milhões de hectares de vegetação nativa.

A alteração da paisagem reduz a capacidade de resiliência do bioma e aumenta sua exposição a eventos climáticos extremos. Na avaliação de Ferreira, a combinação entre a perda de vegetação, as secas recentes e um novo El Niño torna mais difícil a manutenção dos ecossistemas amazônicos.

Efeitos sobre outras regiões

A Amazônia participa do transporte e da reciclagem de umidade na América do Sul e contribui para a formação de chuvas em diferentes áreas do Brasil, incluindo o Centro-Oeste e o Sudeste. Mudanças no regime de precipitação da floresta podem influenciar a disponibilidade de água, as safras agrícolas e os níveis dos reservatórios em outras regiões.

O pesquisador ressalva que não é possível estabelecer uma relação direta entre a seca amazônica e os níveis dos reservatórios do Sudeste. Esses níveis dependem de diversos fatores, sobretudo das alterações nos padrões de precipitação, que também sofrem influência de outros fenômenos climáticos.

O próprio El Niño pode produzir respostas diferentes no território brasileiro: tende a reduzir as chuvas em grande parte da Amazônia, mas pode favorecer o aumento da precipitação no Sul e em partes do Sudeste. Por isso, a relação entre os eventos climáticos e a disponibilidade hídrica varia conforme a região.

Risco de perda de resiliência

O chamado ponto de não retorno está relacionado à perda de resiliência da floresta. Nesse cenário, mesmo com a redução ou a interrupção dos vetores de degradação, partes da Amazônia poderiam deixar de se sustentar como ecossistemas florestais com suas características ecológicas atuais.

Desmatamento, degradação, fogo, aquecimento e secas extremas atuam conjuntamente. Quanto mais intensos e frequentes esses impactos, maior a dificuldade de recuperação dos ecossistemas. Secas sucessivas e severas, portanto, podem acelerar a perda de resiliência e aumentar o risco de aproximação de um possível ponto de não retorno.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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