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Dez filmes sobre máfia iluminam a frase de Gilmar Mendes no STF

Obras de Coppola, Scorsese e outros diretores mostram como códigos internos sustentam organizações criminosas no cinema.

Dez filmes sobre máfia iluminam a frase de Gilmar Mendes no STF
Foto: Reprodução/Paramount Pictures

A frase “até a máfia tem ética” foi pronunciada por Gilmar Mendes durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada pelo confronto com André Mendonça. O debate tratava da possibilidade de abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes, a partir de apurações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Gilmar criticou a condução dos processos e afirmou que ela apresentava, em sua avaliação, “inequívoco viés político-eleitoral”.

O ministro também recorreu ao termo italiano omertà, associado ao código de silêncio da máfia siciliana. Para ele, a gravidade de uma informação não poderia variar conforme o magistrado atingido ou o tribunal ao qual pertencesse. Mendonça negou finalidade político-eleitoral, classificou as afirmações como levianas e pediu respeito durante a sessão.

A comparação feita no plenário não transforma organizações criminosas em instituições éticas. O que os filmes de máfia mostram são códigos internos: lealdade, hierarquia, silêncio, proteção do grupo, pagamento de dívidas, divisão de territórios e punição para quem rompe acordos. Esses mecanismos funcionam como um ordenamento paralelo, baseado em confiança, reputação, ameaça e obediência.

Dez filmes e seus códigos

O Poderoso Chefão (1972), de Francis Ford Coppola, apresenta a família Corleone e a autoridade de Don Vito Corleone, sustentada por favores, reciprocidade, palavra empenhada e respeito à hierarquia. A continuação, O Poderoso Chefão: Parte II (1974), mostra o peso da traição interna e a punição de quem rompe a lealdade familiar.

Em Os Bons Companheiros (1990), Martin Scorsese expõe as regras de apresentação, hierarquia, divisão dos ganhos e silêncio diante da polícia. Donnie Brasco (1997), dirigido por Mike Newell, destaca a responsabilidade de quem introduz alguém na organização: Lefty Ruggiero passa a responder por Donnie Brasco, sem saber que ele é Joseph Pistone, agente do FBI.

Cassino (1995), também de Scorsese, associa a sobrevivência do grupo à discrição, à disciplina e à divisão de funções. Em O Irlandês (2019), a obediência à organização entra em conflito com amizades e vínculos pessoais, especialmente na relação entre Frank Sheeran e Jimmy Hoffa.

O Traidor (2019), de Marco Bellocchio, trata diretamente da omertà por meio de Tommaso Buscetta, integrante da Cosa Nostra que decide colaborar com o juiz Giovanni Falcone. Era Uma Vez na América (1984), de Sergio Leone, relaciona a permanência do grupo à confiança e ao cumprimento de pactos.

Já Os Intocáveis (1987), de Brian De Palma, contrapõe a estrutura comandada por Al Capone à equipe de Eliot Ness, mostrando que ambos os lados dependem de lealdade e organização. Por fim, Estrada para Perdição (2002), de Sam Mendes, transforma o código mafioso em conflito entre família de sangue, proteção, dívida e lealdade construída ao longo do tempo.

A distinção central está entre ética e código de conduta. Ética envolve princípios sobre o certo e o errado; um código interno pode apenas preservar uma organização, ainda que suas atividades sejam criminosas. É essa contradição que dá força cinematográfica à frase de Gilmar Mendes: até estruturas fora da lei criam limites para manter sua lógica interna. A comparação, no plenário do STF, foi usada como crítica à atuação de André Mendonça, e não como elogio à máfia.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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