Florence Pugh cobrou a participação dos homens no enfrentamento à violência sexual após a reabertura de uma investigação sobre uma denúncia de estupro coletivo na Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Em uma publicação no Instagram, a atriz afirmou que o silêncio diante de acusações desse tipo compromete a confiança das mulheres e defendeu que os homens liderem discussões sobre comportamentos que permitem ou normalizam abusos.
“Precisamos que nossos homens estejam tão horrorizados e enojados quanto nós”, escreveu Pugh. Ela também criticou instituições de ensino que, em sua avaliação, demonstram preocupação com o futuro dos acusados enquanto deixam em segundo plano os efeitos da violência sobre quem denuncia.
Denúncia e retomada da investigação
A denunciante é identificada no processo civil pelo pseudônimo Jane Doe. Ela acusa sete integrantes da fraternidade Chi Phi de tê-la dopado e estuprado em outubro de 2024, quando tinha 20 anos. Na ação, também responsabiliza a Universidade Cornell por falhas em sua proteção.
Na segunda-feira (28), o promotor do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, anunciou a reabertura da investigação. A intenção é apresentar o caso a um júri de instrução, responsável por avaliar se existem elementos para uma acusação criminal. Van Houten apontou diferenças entre o relato inicial e as informações apresentadas na ação civil. O advogado da jovem contestou essa interpretação e criticou a apuração anterior.
A promotoria afirmou que, depois de definidas as acusações consideradas adequadas, o caso será submetido a um júri popular de maneira objetiva e imparcial. As alegações continuam sob investigação, e representantes de dois acusados negaram que seus clientes tenham cometido violência sexual.
Posicionamentos sobre a universidade
Cornell declarou apoio à retomada da apuração e informou que seu procedimento disciplinar levou a suspensões e expulsões. A universidade negou que a entrega de redações tenha sido a única punição aplicada e afirmou que a fraternidade permanece banida do campus.
A governadora Kathy Hochul pediu uma revisão externa, transparente e independente da resposta da instituição. Ela também questionou a cultura do campus e os sistemas de prevenção, denúncia e resposta a casos de violência sexual. “Nenhum estudante deveria jamais ficar na dúvida se as instituições que deveriam protegê-los irão ouvi-los e agir”, afirmou.
A universidade declarou que é falsa qualquer sugestão de que não tenha aplicado punições significativas. A jovem, porém, afirma que nenhum dos envolvidos foi punido, embora tenha relatado o caso à polícia do campus em 8 de novembro de 2024.
A audiência inicial da ação civil está marcada para 23 de outubro, em Manhattan. Pugh encerrou sua manifestação com uma cobrança para que os homens demonstrem indignação e participem da responsabilização por atos de violência sexual.



