O videocast “Arruíne-se Comigo”, idealizado por Alice Caymmi e Nina da Costa Reis, estreia nesta quarta-feira (09) no YouTube e no Spotify. A produção transforma inadequação e vulnerabilidade em matéria para o humor, sem apresentar respostas prontas para as questões da vida adulta.
A primeira temporada terá quatro episódios semanais. Em cada gravação, as duas artistas aparecem em um quarto enquanto se preparam para sair. A saída, porém, não acontece: elas permanecem no local e conversam sobre relacionamentos, crises existenciais, expectativas sociais e a passagem para a vida adulta.
A proposta se contrapõe à chamada “performance higienizada”, baseada na aparência de que tudo está bem, resolvido e sob controle. Alice e Nina não assumem o papel de especialistas. Em vez disso, partem de dúvidas e experiências próprias para tratar de situações cotidianas.
“A gente não é ‘milituda’, não temos respostas para as coisas”, afirma Nina. Para ela, as apresentadoras ocupam o lugar de quem pergunta e se questiona, diante da dificuldade de viver.
O humor funciona como instrumento para abordar relações que não deram certo e as pressões associadas à vida adulta. A escolha do quarto também integra a linguagem do programa: o ambiente registra o momento em que as duas desistem de sair e passam a conversar.
O projeto incorpora uma perspectiva feminista, mas não adota discursos prescritivos nem estabelece regras de comportamento. A vulnerabilidade é abordada a partir das vivências das próprias apresentadoras.
Alice também afirma que deseja alcançar públicos diversos, incluindo homens héteros. “Espero muito que cheguem em homens héteros para que eles também tenham alguma luz na vida”, diz, em tom de brincadeira.
A criação surgiu do contato entre Alice e Nina, organizado pela produtora Laura Péronne. O roteirista Eduardo Rios participa da elaboração dos episódios. Os quatro capítulos iniciais não terão convidados e se concentram na dinâmica entre as duas artistas. As próximas fases preveem convidados, ações externas e gravações em espaços públicos.


