BELÉM — A trajetória de Zélia Amador de Deus, que morreu aos 74 anos nesta terça-feira (8), foi levada à avenida pela Escola de Samba Os Colibris, do bairro da Maracangalha. A agremiação homenageou a professora, escritora, atriz e diretora de teatro no Carnaval de Belém, destacando sua atuação na educação, nas artes e na defesa da população negra.
O enredo apresentado pela escola em 2023 foi Zélia Amada, Zélia de Deus, Zélia das Artes, Herdeira de Ananse!. O desfile ocorreu na Aldeia Cabana, espaço em que o samba-enredo apresentou ao público aspectos da trajetória de Zélia e de sua participação no movimento negro.
A escolha do tema ocorreu em 2021. O samba havia sido lançado no fim daquele ano para o Carnaval de 2022, mas o calendário dos desfiles foi adiado por causa da pandemia da Covid-19. A direção dos Colibris decidiu preservar a homenagem e levou o enredo para a avenida no Carnaval de 2023, quando a escola estreou no Grupo Especial do Carnaval de Belém.
Trajetória acadêmica e artística
Zélia manteve uma relação de longa duração com a Universidade Federal do Pará (UFPA). Ela era professora da instituição desde 1978 e ocupou a vice-reitoria entre 1993 e 1997. Em 2016, assumiu a função de primeira assessora da Diversidade e Inclusão Social da universidade, criada para atuar nas políticas de diversidade e inclusão.
Em 2019, recebeu da UFPA o título de professora emérita. A distinção reconheceu sua trajetória acadêmica e sua contribuição para a instituição.
No Pará, Zélia também participou da organização do movimento negro. Foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e atuou em defesa dos direitos da população negra e das comunidades quilombolas. Sua atuação incluiu ainda a defesa de políticas de ações afirmativas e o debate sobre as especificidades das mulheres negras nos movimentos sociais.
Nas artes, trabalhou como atriz, diretora de teatro e escritora.



