A imagem satânica associada ao Black Sabbath foi reforçada por um elemento que os próprios músicos não colocaram no disco: uma cruz invertida na parte interna do primeiro álbum da banda. Tony Iommi afirmou que a escolha levou parte do público a acreditar que o quarteto tinha envolvimento com magia negra.
De acordo com o guitarrista, o interesse do grupo pelo ocultismo estava mais relacionado a filmes de terror e à criação de uma atmosfera sombria. Ainda assim, a combinação entre roupas pretas, letras sobre figuras demoníacas e o nome Black Sabbath provocava medo real no começo dos anos 1970.
Protestos contra os shows
Quando a banda começou a se apresentar nos Estados Unidos, algumas cidades tentaram impedir os concertos. Iommi também recordou que grupos religiosos protestaram contra apresentações do Sabbath. Em uma ocasião, encontrou pessoas vestidas com mantos pretos e entoando cânticos no corredor de um hotel.
A resposta dos músicos contrariou a expectativa criada pela cena. Eles apagaram as velas usadas pelos visitantes e passaram a cantar “Parabéns a Você”.
Em entrevista à Classic Rock, Iommi disse que o temor chegava ao ponto de algumas pessoas imaginarem que a banda poderia transformá-las em sapos. O guitarrista classificou aquela reação como peculiar e afirmou que os fãs tinham muito medo do grupo quando ele tocou pela primeira vez nos Estados Unidos.
A percepção pública também destoava da posição pessoal de Iommi. “Eu acredito em Deus. Sou católico, mas não sou alguém que frequenta a igreja”, declarou.
Com o passar das décadas, a iconografia sombria do Black Sabbath se incorporou à linguagem visual do rock pesado. No início da trajetória do grupo, porém, a estética era recebida por parte do público como uma ameaça concreta, e não apenas como uma escolha artística.


