Humberto Gessinger apontou o Supertramp como uma de suas três principais referências conceituais, ao lado de Rush e Thin Lizzy. Em conversa com o canal Paranoid, o músico explicou que a influência não está diretamente no som dos Engenheiros do Hawaii, mas na forma como os elementos musicais são organizados.
Para Gessinger, o aspecto mais relevante do Supertramp está nos arranjos, na dinâmica e no modo como cada parte entra e sai das músicas. A banda tem boas letras e melodias, afirmou, mas o interesse central está na construção que reúne esses componentes. “O arranjo é o lance mais legal do Supertramp, mais do que a coisa musical”, disse.
Uma referência difícil de traduzir
O músico relatou que costuma enfrentar dificuldades quando menciona essas referências durante ensaios, especialmente após mudanças na formação. Segundo ele, alguns músicos associam o Supertramp ao uso de falsete e o Rush à execução de compassos complexos. Para Gessinger, essas leituras deixam de lado o ponto principal: a estrutura das canções.
A explicação foi relacionada a uma análise de Beethoven apresentada por um maestro. Na ocasião, Gessinger ouviu que, examinados separadamente, melodia, harmonia e orquestração não funcionariam tão bem. A combinação entre os elementos, porém, produziria o resultado musical. É esse tipo de efeito que ele identifica no Supertramp.
A concepção também se manifesta na maneira como o músico trabalha no palco. Gessinger disse gostar de ensaiar, embora possa modificar o que foi preparado durante o show. As mudanças ocorrem sobretudo nas letras. Com uma banda fixa, essa liberdade seria mais simples; quando toca com músicos envolvidos em diferentes trabalhos, ele precisa controlá-la.
O músico publicou a avaliação em 21 de setembro de 2026, ao comentar as referências que orientam sua compreensão de arranjo e performance.


