Cultura com voz
Música

A improvisação que fazia cada show do Led Zeppelin mudar de direção

Para Jimmy Page, a comunicação entre os integrantes nos palcos criava uma dimensão que as gravações não conseguiam reproduzir.

A improvisação que fazia cada show do Led Zeppelin mudar de direção
Foto: Rhino - Atlantic Records

A dinâmica entre os integrantes era, para Jimmy Page, o elemento capaz de levar o Led Zeppelin além do que havia sido registrado em estúdio. Nos shows, as músicas podiam ganhar outras velocidades, seções mais longas e soluções decididas no instante da execução.

“Se todos nós quatro estivéssemos realmente no auge, aquilo adquiria uma quinta dimensão”, afirmou Page. A expressão descrevia um estado de sintonia entre ele, Robert Plant, John Bonham e John Paul Jones, no qual cada músico reagia às escolhas dos demais sem a necessidade de combinar previamente o caminho da apresentação.

Canções em transformação

“Dazed and Confused” era um dos exemplos dessa abordagem. A composição podia se expandir no palco com solos, alterações de dinâmica e improvisos, fazendo com que uma apresentação não repetisse necessariamente a anterior. Para Page, essa instabilidade fazia parte da experiência: “Essa quinta dimensão podia ir para qualquer direção”.

O guitarrista relatou que uma mesma música podia aparecer lenta e arrastada em uma noite e bastante rápida no dia seguinte. O andamento, portanto, não era tratado como um elemento fixo. A resposta de um integrante influenciava imediatamente o desempenho dos outros, criando versões distintas da mesma obra.

Em “Achilles Last Stand”, a relação entre gravação e palco apresentava outro desafio. Como as guitarras sobrepostas do estúdio não podiam ser reproduzidas integralmente por um único músico, Page precisava decidir durante a execução quais camadas levaria para a apresentação.

O risco da apresentação ao vivo

A liberdade também significava que nem todos os concertos poderiam ser controlados da mesma maneira. Um solo podia se prolongar, Plant podia sustentar uma nota além do previsto, e a base formada por Bonham e Jones precisava acompanhar essas mudanças imediatamente.

Essa possibilidade de alterar o rumo de uma música distinguia a experiência ao vivo do trabalho de estúdio. Page considerava o estúdio essencial para a identidade do Led Zeppelin, sobretudo pelas experiências com microfones, sobreposições, efeitos e técnicas de produção. Ainda assim, a comunicação instantânea entre os quatro integrantes produzia algo que não era inteiramente transportável para uma gravação.

A chamada quinta dimensão reunia improviso, risco e escuta mútua. Quando a sintonia funcionava, cada concerto podia assumir uma forma própria, sem garantia de que aquela versão voltaria a existir da mesma maneira.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.