John Lennon tratava John Lennon/Plastic Ono Band como um dos trabalhos mais autênticos de sua carreira. Lançado em 1970, o álbum surgiu depois de um período intenso de terapia primal e marcou uma mudança na forma como o músico lidava com a própria imagem após os Beatles.
Em vez de tentar repetir a dimensão da antiga banda, Lennon se voltou para um repertório íntimo, direto e pouco ornamentado. As canções abordam abandono, família, religião, fama e o fim dos Beatles, temas apresentados sem o amparo de personagens ou de metáforas elaboradas.
A origem das faixas também era central para a maneira como Lennon avaliava o disco. Em entrevista a Jann Wenner para a Rolling Stone, ele disse que não havia planejado escrever sobre a mãe, o pai ou qualquer assunto específico. “Todas essas músicas simplesmente saíram de mim”, afirmou.
A declaração ajuda a compreender a presença de músicas como “Mother”, “Working Class Hero”, “God” e “My Mummy’s Dead” no álbum. Os arranjos secos e a exposição dos traumas colocam a experiência pessoal no centro da obra, sem a tentativa de preservar a imagem associada ao período da Beatlemania.
Um disco ao lado dos Beatles
Em uma entrevista posterior, Lennon afirmou que as músicas de Plastic Ono Band, assim como “Imagine” e “Love”, poderiam ser comparadas a qualquer composição que tivesse escrito com os Beatles. Para ele, o material solo alcançava o mesmo patamar de suas melhores criações na banda.
A confiança no álbum vinha, portanto, menos de um projeto previamente concebido do que da impressão de que as canções haviam surgido de maneira espontânea. Lennon não parecia interessado em construir um grande disco conceitual nem em demonstrar algo depois do fim dos Beatles. O resultado foi uma obra baseada na exposição direta de questões pessoais e em uma forma de composição que o próprio músico considerava sua melhor realização.



