Antes de se tornar conhecido como Johnny Rotten e alcançar fama à frente do Sex Pistols, John Lydon tentou integrar o Can, grupo alemão associado ao rock progressivo e experimental. A aproximação ocorreu quando a banda já havia encerrado suas atividades, o que impediu a entrada do cantor.
A história foi relatada por Irmin Schmidt, tecladista e fundador do Can, em entrevista à nova edição da revista Prog. Segundo Schmidt, Lydon telefonava durante a noite e deixava mensagens manifestando o desejo de assumir os vocais. “Ele ligava e deixava mensagens à noite, queria muito se tornar o vocalista do Can”, afirmou o músico.
Lydon era conhecido por demonstrar rejeição a nomes britânicos do rock progressivo, como Pink Floyd, Yes e Genesis. Ao mesmo tempo, mantinha interesse por grupos como Hawkwind, Van der Graaf Generator e o próprio Can, uma das referências do rock alemão.
A tentativa de aproximação coincidiu com o período de formação do Public Image Ltd, projeto criado pelo cantor depois do Sex Pistols. Os discos “First Issue”, de 1978, e “Metal Box”, de 1979, apresentavam uma abordagem considerada próxima da proposta inovadora associada ao Can.
O grupo alemão não retomou uma atividade permanente nas décadas seguintes. Houve participações esporádicas entre 1986 e 1999, com Schmidt presente em todos esses reencontros. O tecladista permanece entre os integrantes vivos do Can, ao lado do vocalista original Malcolm Mooney e do baixista Rosko Gee.
Schmidt também continua lançando trabalhos solo. Entre os projetos recentes está “Requiem”. A hipótese de Lydon como vocalista do Can, portanto, permaneceu no campo das possibilidades não realizadas — uma combinação imaginada pelo próprio fundador da banda.



