Antes de lançar Never for Ever, Kate Bush passou por um breve bloqueio criativo provocado por The Wall, do Pink Floyd. O álbum atingiu a cantora de tal maneira que, por algumas semanas, ela acreditou que não havia mais espaço para continuar escrevendo músicas.
A lembrança foi relatada por Bush em uma entrevista de 1980. Ela descreveu o efeito do disco sobre sua criação: "Quando ouvi 'The Wall', pensei que não havia mais sentido em escrever músicas, porque eles tinham dito tudo". Para a cantora, uma obra capaz de alcançar seu centro criativo podia interromper temporariamente a própria capacidade de criar.
O impasse, contudo, não permaneceu. Depois de algumas semanas, Bush entendeu que o Pink Floyd não havia esgotado todas as possibilidades musicais. A constatação fez a frustração mudar de direção e se transformar em impulso para compor.
A influência sobre “Breathing”
Entre os resultados desse processo esteve “Breathing”, faixa que encerra Never for Ever. Bush afirmou que a canção foi influenciada pela atmosfera de The Wall, sobretudo pelo terceiro lado do álbum duplo. A relação também aparece no tema da música, cantada do ponto de vista de um bebê ainda no útero diante de um mundo devastado por uma explosão nuclear.
A cantora chamou “Breathing” de sua “pequena sinfonia” e, naquele período, considerou a faixa a melhor coisa que havia escrito e produzido até então. O álbum também inclui “Babooshka” e “Army Dreamers”.
Lançado em setembro de 1980, Never for Ever representou uma mudança no trabalho de Bush. Foi seu primeiro disco com crédito de coprodução, marcou sua primeira experiência com o Fairlight CMI e ampliou o controle da artista sobre o próprio processo criativo.
O álbum alcançou o topo da parada britânica, tornando-se o primeiro trabalho de Bush a chegar a essa posição. A obra também abriu caminho para uma etapa mais experimental de sua carreira, que culminaria em The Dreaming e Hounds of Love.


