Em 1983, Lemmy Kilmister apontou “Razor's Edge”, faixa do álbum “Midnight at the Lost and Found”, de Meat Loaf, como um exemplo do que considerava equivocado no rock produzido nos Estados Unidos. A crítica apareceu em uma resenha dos lançamentos da semana publicada na Record Mirror.
O músico do Motörhead não contestou a capacidade técnica dos envolvidos na gravação. Sua objeção era à forma como a canção teria sido concebida: para provocar emoção de maneira planejada, com acabamento impecável, mas sem risco ou personalidade.
“Baboseira com a devida carga emocional. É isso que está errado com o rock americano”, escreveu Lemmy. Na sequência, ele reconheceu a qualidade da execução e da interpretação vocal, mas comparou o resultado a “um encontro com Neil Kinnock”, político trabalhista britânico.
A crítica também expunha um contraste com o trabalho do próprio Motörhead. Distorção, velocidade e imperfeições audíveis funcionavam como marcas da banda, enquanto a precisão técnica, isoladamente, tinha pouco valor para Lemmy. O problema, em sua avaliação, não era tocar bem, mas subordinar a música a um efeito emocional previamente calculado.
As expectativas sobre Meat Loaf
O álbum foi lançado depois de um período de expectativas elevadas para Meat Loaf. “Bat Out of Hell” havia alcançado grande sucesso com músicas como “Paradise by the Dashboard Light” e “Two Out of Three Ain't Bad”. Em “Midnight at the Lost and Found”, o cantor trabalhou com outros compositores, afastado da fórmula grandiosa associada a Jim Steinman.
A crítica ganha uma camada adicional porque Lemmy também escreveu baladas. Entre elas está “Mama, I'm Coming Home”, sucesso de Ozzy Osbourne. Nessa gravação, a interpretação do cantor sustentaria a emoção da música — elemento que, na leitura de Lemmy, não aparecia em “Razor's Edge”.



