Antes de se tornar uma referência do hard rock, Robert Plant enfrentou a distância entre sua própria voz e a tradição do blues americano. Entre os cantores que mais acentuavam essa insegurança estava Steve Winwood, cuja interpretação fazia o futuro vocalista do Led Zeppelin pensar em abandonar a música.
Plant ouvia nomes como Howlin' Wolf e Muddy Waters e reconhecia que não era um cantor de blues no sentido tradicional. A comparação com músicos britânicos de sua geração tornava esse desconforto ainda mais evidente. Em uma lembrança, ele afirmou: “Eu não era um cantor de blues, era apenas mais um cara branco tentando fazer aquilo funcionar”.
Winwood começou a chamar atenção ainda adolescente, à frente do Spencer Davis Group. Canções como “Keep On Running” e “Gimme Some Lovin'” destacavam uma voz marcada pelo soul. Mais tarde, sua trajetória passou por Traffic e Blind Faith, grupos nos quais ampliou uma linguagem que reunia blues, soul, rock e jazz.
A admiração de Plant também incluía Terry Reid e Steve Marriott, colocados por ele entre os cantores extraordinários que tentava alcançar enquanto desenvolvia a própria voz. Winwood provocou reação semelhante em Eric Clapton. Durante o período do Blind Faith, Clapton teria ficado intimidado a ponto de não se arriscar a cantar “Presence of the Lord”, embora fosse o compositor da música.
Plant não abandonou as influências que o formaram, mas deixou de tentar reproduzir o blues em seus próprios termos. Ao incorporar elementos de folk, psicodelia e rock pesado, encontrou uma identidade vocal que se tornou referência. Ainda assim, manteve o reconhecimento por Winwood, a quem atribuiu um talento capaz de fazer um colega “jogar a toalha e ir embora, de tão bom que era”.


