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Artistas com deficiência defendem liberdade para ocupar qualquer papel na cena

Debate sobre cripface reúne críticas à exclusão profissional e à redução de personagens com deficiência a narrativas de dor e estereótipos.

Artistas com deficiência defendem liberdade para ocupar qualquer papel na cena
Foto: Yasmin Gomes/Divulgação/Acessa BH

A participação de artistas com deficiência nas produções culturais não deve ficar restrita a personagens marcados por sua deficiência, afirma a atriz, diretora, dramaturga e produtora Jéssica Teixeira. Para ela, profissionais com deficiência precisam ter reconhecidos o currículo, a formação e a capacidade de interpretar diferentes papéis — inclusive aqueles que não são escritos a partir de uma característica identitária.

Jéssica participa do festival Acessa BH com o espetáculo Taquesutaque, sobre uma mulher atravessada pelas memórias da decisão solitária de mudar de estado e iniciar a carreira de atriz. Graduada em Teatro (Licenciatura) e mestra em Artes pelo PPG Artes da Universidade Federal do Ceará, ela também trabalha com dança desde criança.

O direito de imaginar

Ao discutir a escolha de elenco, a artista rejeita o argumento de que pessoas com deficiência não conseguiriam cumprir determinadas exigências físicas ou técnicas. Na avaliação dela, o limite deve ser definido pela obra, e não usado previamente para afastar profissionais com deficiência. Pessoas com e sem deficiência podem memorizar um texto ou não, assim como podem apresentar diferentes capacidades de execução.

Jéssica também questiona a forma como roteiros descrevem personagens. Enquanto um pai de família costuma ser apresentado apenas por essa função, personagens trans ou pessoas com deficiência são frequentemente identificados primeiro por sua condição. Para a artista, essa diferença reduz a possibilidade de criação e transforma a presença de dados reais da sociedade em uma obrigação para quem trabalha com arte.

A defesa é de uma liberdade de composição que permita a artistas com deficiência interpretar personagens diversos. “A gente precisa reivindicar o direito da imaginação”, afirma Jéssica.

Críticas ao cripface

O debate envolve o cripface, prática de escalar artistas sem deficiência para representar personagens com deficiência em filmes, séries, peças ou propagandas. Jéssica associa essa escolha a outras formas de apropriação de identidades e afirma que, nesses casos, as narrativas costumam recorrer à dor, à vitimização e ao estereótipo.

Ela considera especialmente grave que a prática ocorra em um mercado no qual a empregabilidade de pessoas com deficiência já é baixa. Quando produções contratam profissionais sem deficiência para esses papéis, artistas que poderiam ocupar essas funções deixam de acessar oportunidades de trabalho.

Daniel Silva, bailarino e cofundador da Movidos Dança, no Rio Grande do Norte, classifica o cripface como “uma atitude atrasada” e diz que a prática desconsidera artistas com deficiência. Fernanda Maciel, artista da Kinesis Cia de Dança, afirma que o recurso reforça a ideia de que essas pessoas não seriam capazes de atuar. Para Paulo Fabião, jornalista, escritor, ativista e palestrante, trata-se de uma prática capacitista normalizada.

Laís Vitral, curadora e idealizadora do Acessa BH, sustenta que a discussão envolve representatividade e acesso a oportunidades. A questão, portanto, não se limita à escolha de quem interpreta uma personagem: alcança também a distribuição de trabalho, a construção das narrativas e o direito de artistas com deficiência participarem da criação sem serem reduzidos a um único tipo de papel.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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