GOIÂNIA — A permanência em liberdade dos dois homens condenados pela morte do advogado Davi Sebba Ramalho causou preocupação entre os familiares da vítima. Jonathas Atenevir Jordão e Edinailton Pereira de Souza deixaram o local após o julgamento, embora tenham recebido penas de prisão. A família esperava que a detenção fosse determinada imediatamente depois da decisão dos jurados.
Jordão, ex-policial militar apontado como responsável pelo disparo, foi sentenciado a 12 anos por homicídio qualificado. Ele acabou absolvido da acusação de porte de arma. Souza, tenente da Polícia Militar, recebeu pena de 10 anos por homicídio simples e porte de arma. Já o sargento Luiz Frederico de Oliveira foi absolvido das duas acusações.
A sessão começou na quinta-feira (1º), com mais de dez horas de atividades no primeiro dia. Ao todo, 14 pessoas, entre testemunhas e envolvidos no processo, foram ouvidas. Na sexta-feira (2), acusação e defesa fizeram os debates antes da votação. O julgamento terminou por volta das 22h, após dois dias de sessão.
A morte de Davi Sebba
Davi foi morto em 5 de julho de 2012, atingido por um tiro no peito no estacionamento de um supermercado na Avenida T-9, em Goiânia. Ele havia saído de casa para comprar itens para o nascimento do filho, que nasceu poucas horas depois.
Os policiais afirmaram, à época, que participavam de uma investigação sobre tráfico de drogas e foram ao local para abordar o advogado. Conforme a versão apresentada pelos agentes, Davi reagiu e levou a mão a um objeto dentro do carro. Jonathas declarou ter entendido que ele procurava uma arma e disparou para se defender. Nos autos, a defesa sustentou que os policiais enfrentavam uma ameaça real e iminente.
A acusação apresentou outra interpretação: Davi não teria reagido nem ameaçado os agentes, e teria sido surpreendido sem possibilidade de defesa. Essa tese foi acolhida pelo Tribunal de Justiça de Goiás em 2022, quando a 1ª Câmara Criminal determinou que os acusados fossem levados ao Tribunal do Júri.
A perícia não encontrou resíduos de pólvora nas mãos de Davi. A investigação também indicou que uma arma teria sido colocada no carro para apoiar a versão de que ele estava armado. As defesas questionaram essas conclusões e continuaram a afirmar que os policiais agiram durante uma abordagem policial.
Desde o crime, os familiares contestam a versão de que Davi teria participado de um confronto. Eles afirmam que a cena pode ter sido alterada e questionam a presença da arma associada à abordagem.
A Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás acompanhou presencialmente o julgamento por meio das estruturas voltadas à defesa das prerrogativas da advocacia. A entidade informou que segue o caso desde 2012.


