RIO DE JANEIRO — A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) investiga uma abordagem envolvendo o ator João Victor Gonçalves nos arredores do Rock in Rio. A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que tomou conhecimento do caso pelas publicações nas redes sociais, embora ainda não haja registro de ocorrência com essas características na delegacia responsável pela área.
João Victor, de 24 anos, interpreta Mau Mau na novela Quem Ama Cuida, da TV Globo. Na noite da sexta-feira, 4, ele caminhava em direção à Cidade do Rock quando foi acompanhado por três jovens. Vídeos mostram o grupo rindo, comentando as roupas do ator e fazendo gravações durante a abordagem.
Relatos e versões
Depois do episódio, João Victor afirmou que acreditou estar diante de um possível assalto: “A única coisa que achei naquele momento é que seria assaltado por eles. Então eu estava andando mais rápido”. O ator também declarou ter sido alvo de homofobia.
O streamer GH Rell RJ aparece nas imagens e participou da abordagem. Em vídeo publicado no sábado, 5, pediu desculpas por ter gravado João Victor, mas negou a prática de homofobia e disse que mantinha sua opinião sobre a roupa usada pelo ator. “Se você se ofendeu, eu errei de ter te gravado”, afirmou.
GH Rell RJ também disse que considerava engraçada a calça do artista e, depois da manifestação de João Victor, afirmou que a postura do ator teria sido racista. Em nota, João Victor respondeu que sua reação foi uma forma legítima de autoproteção e não teve caráter discriminatório.
Segurança e registro
A organização do Rock in Rio repudiou qualquer tipo de violência e informou que o festival dispõe de segurança privada. Segundo a organização, porém, o episódio aconteceu fora do perímetro atendido por essa equipe. Também foi recomendado que o público use o BRT para chegar ao evento, porque o desembarque ocorre mais perto da entrada da Cidade do Rock.
A Polícia Civil orienta que casos semelhantes sejam registrados formalmente. De acordo com a corporação, o procedimento permite a investigação individual de cada ocorrência, a identificação dos envolvidos e eventual responsabilização se houver comprovação de crime.
Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu enquadrar a homofobia como crime. Na ocasião, os ministros determinaram a aplicação da legislação sobre racismo a práticas discriminatórias desse tipo e reconheceram a omissão do Congresso. A legislação prevê reclusão de um a cinco anos, prestação de serviços à comunidade ou multa.


