ANÁPOLIS — Uma investigação do Ministério Público de Goiás (MPGO) apura a retirada fraudulenta de 54 veículos novos de uma fábrica em Anápolis, com prejuízo estimado em R$ 8,7 milhões. Os carros teriam sido enviados para São Paulo, onde foram desmontados e transformados em peças para revenda. A suspeita é de que as operações tenham ocorrido entre o fim de 2023 e o início de 2025.
Na etapa mais recente das apurações, foram realizadas buscas em endereços de São Paulo e São Bernardo do Campo. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu 12 mandados de busca e apreensão. A investigação também alcança empresários suspeitos de adquirir os veículos.
Documentos e identidade falsa
Conforme o MPGO, o ex-funcionário teria aproveitado o acesso proporcionado pelo cargo para organizar a saída dos automóveis. Uma das estratégias investigadas envolvia notas fiscais com uma finalidade diferente da real. Os documentos informavam que os carros seriam encaminhados temporariamente a empresas responsáveis por serviços prévios à comercialização, como instalação de acessórios ou blindagem.
O homem também teria criado um perfil falso, apresentado como pertencente a um analista de marketing da montadora. Por meio dessa identidade, seriam enviados e-mails com pedidos fraudulentos para dar suporte à liberação dos veículos na fábrica de Anápolis. Depois, os automóveis seguiam para o estado de São Paulo e eram entregues a comerciantes.
Desmonte e venda das peças
Em São Paulo, os carros eram recebidos por comerciantes ligados aos setores de autopeças e sucatas. Em vez de serem comercializados inteiros, os veículos novos eram desmontados, e seus componentes eram oferecidos em estabelecimentos físicos e em anúncios nas redes sociais. A investigação encontrou ofertas de peças descritas como provenientes de “carros zero quilômetro”.
O MPGO afirma que os compradores pagavam valores muito abaixo dos praticados normalmente no mercado. Além do ex-funcionário apontado pela retirada dos carros, empresários suspeitos de comprá-los foram denunciados.
Os investigados são apontados por associação criminosa, furto mediante fraude e abuso de confiança continuado e receptação qualificada no exercício de atividade comercial. O nome do ex-funcionário não foi divulgado pelo Ministério Público, e não foi possível localizar a defesa dele para comentar as acusações.


