A avaliação de Angus Young sobre Pete Townshend parte de uma convicção mais ampla: para o guitarrista do AC/DC, a música ganha força quando cada integrante ocupa uma função dentro de um conjunto. Nessa perspectiva, o desempenho de um músico não pode ser separado da dinâmica da banda.
Ao comentar o líder musical do The Who, Angus disse que a presença de Roger Daltrey e dos demais integrantes é decisiva para o impacto de Townshend. “Eu vejo isso como uma banda. Acho que Pete Townshend é podre sem Roger Daltrey e o The Who”, afirmou. Na sequência, resumiu sua impressão sobre o guitarrista: “Na verdade, ele é bem chato”.
A crítica também inclui o próprio Angus
O músico não restringiu a observação a Townshend. Angus afirmou que sua própria atuação não teria o mesmo resultado fora do AC/DC e apresentou a ideia com humor: “Você deveria me ouvir sozinho. É horrível”. Para ele, há artistas que funcionam melhor como parte de uma unidade, na qual os integrantes acrescentam elementos indispensáveis ao resultado final.
Essa preferência pela construção coletiva se relaciona à forma como Angus encara a técnica musical. Ele não demonstrava entusiasmo por músicos que transformavam a habilidade em finalidade principal e valorizava o peso, a simplicidade e a energia quando esses elementos não cediam lugar à exibição técnica.
Jeff Beck aparecia, para Angus, como uma exceção significativa. O guitarrista era elogiado por conseguir tocar de maneira técnica sem entediar o público.
No The Who, a relação entre Townshend e Daltrey foi marcada por tensão, com períodos de admiração, implicâncias e divergências criativas. Ainda assim, os dois continuaram reconhecendo a força da combinação entre compositor e vocalista.
É nesse arranjo que Angus localiza o impacto do grupo: Townshend poderia perder parte de sua força quando afastado de Daltrey e do restante do The Who. A mesma lógica, segundo o guitarrista, vale para sua presença no AC/DC.


