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Como Bob Rock levou o Metallica a mudar seu método de criação

Testes de afinação, andamento e gravação coletiva ajudaram a formar o som do disco mais vendido da carreira do Metallica.

Como Bob Rock levou o Metallica a mudar seu método de criação

O Metallica mudou o rumo de seu trabalho quando Bob Rock questionou uma escolha aparentemente pequena: todas as músicas compostas até então estavam afinadas em Mi. James Hetfield explicou que aquela era a nota mais grave disponível para a banda. Rock sugeriu Ré, mencionando Van Halen e Black Sabbath como referências de afinação mais baixa. O teste foi feito imediatamente e alterou a percepção do grupo sobre o próprio material.

Perguntas que mudaram o processo

Rock não apresentou um projeto fechado de transformação. Seu método consistia em identificar hábitos da banda, propor alterações graduais e observar o resultado antes de avançar. O Metallica vinha de uma rotina construída ao longo de anos, com músicos gravando separados, cada parte sendo montada posteriormente sobre um click track e músicas compostas por muitos riffs e mudanças de andamento.

O produtor passou a reunir os integrantes no mesmo ambiente, tocando juntos e se observando durante a execução. A nova prática aceitava mais imperfeições individuais em troca de uma sensação de conjunto. Ele também sugeriu que as composições abandonassem estruturas extensas e se concentrassem em uma ou duas ideias centrais.

A mudança vinha depois de uma insatisfação com o caminho seguido em ...And Justice for All (1988), marcado por faixas longas e arranjos técnicos. Lars Ulrich resumiria mais tarde aquele momento: “aquele lado do Metallica tinha esgotado sua função”. A banda também percebia que, nos shows, o público às vezes permanecia mais parado durante as músicas mais complexas do disco.

Para buscar uma sonoridade mais direta, o grupo contratou Rock, conhecido pelo trabalho recente com Mötley Crüe e Bon Jovi. Antes dele, o Metallica havia gravado seus discos anteriores com Flemming Rasmussen.

De “Sad But True” a “Enter Sandman”

A faixa “Sad But True” se tornou a demonstração mais clara da nova abordagem. A versão levada à pré-produção era rápida, seguindo um padrão habitual do Metallica. Rock perguntou por que a música tinha aquele andamento e identificou uma possível aproximação com “Kashmir”, do Led Zeppelin, caso o trecho fosse desacelerado.

Hetfield repetiu o riff em velocidade menor e com mais peso. O resultado convenceu a banda. Rock resumiria depois o processo: “Foi uma coisa pequena, e aos poucos a parede foi caindo”.

“Enter Sandman” surgiu no mesmo período por uma dinâmica diferente. Kirk Hammett apresentou um riff simples para os padrões anteriores do grupo, e a música foi concluída em um ou dois dias, sem que Rock precisasse pedir uma nova alteração. A lógica dos testes já havia sido incorporada pela própria banda.

O álbum resultante saiu em 1991, ficou conhecido como “Black Album” e se tornou o trabalho mais vendido da carreira do Metallica. O disco vendeu mais de 31 milhões de cópias no mundo e permaneceu quatro semanas no topo da Billboard 200.

A mudança provocou resistência entre parte do público ligado aos discos de thrash mais técnico. Ainda assim, o Metallica e Bob Rock defenderam aquela direção como necessária depois de quatro discos seguindo o mesmo caminho. Décadas mais tarde, “Sad But True” continuaria associada ao andamento lento que nasceu de uma pergunta feita durante a pré-produção.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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