LOS ANGELES — Uma lembrança do Facebook levou Fernanda Lira de volta ao começo de sua carreira e a uma meta que, segundo ela, foi alcançada. A vocalista e baixista do Crypta relatou o episódio durante uma live no canal Heavy Talk, transmitida de Los Angeles, onde se prepara para a turnê norte-americana com o Arch Enemy.
O registro era de por volta de 2011, período em que Fernanda dava os primeiros passos na Nervosa e escrevia suas primeiras letras. Ela contou que consultar as lembranças da rede social faz parte de seu ritual matinal. Ao encontrar a publicação, percebeu que a jovem compositora havia deixado ali o desejo de se expressar e de criar uma conexão com outras pessoas por meio das canções.
Ao reler o texto, Fernanda respondeu à versão mais jovem de si mesma: “Isso aí eu realizei para nós, hein, Fefê de 2010, 2011”. A artista afirmou ter orgulho de perceber que as pessoas se conectam com suas letras.
A música como ponto de encontro
Para Fernanda, essa conexão se tornou um dos principais objetivos de sua trajetória. O desejo de viver da própria arte continua presente, mas ela destacou a importância de alcançar os ouvintes. A mudança ganhou força com o Crypta. A faixa “From the Ashes” já recebia mensagens de fãs, enquanto o álbum “Shades of Sorrow”, de 2023, ampliou esse retorno.
Durante uma turnê do Crypta pelos Estados Unidos, um fã entregou presentes à cantora e falou sobre “Dark Clouds”, música relacionada a ansiedade e crises de pânico. Ele disse ser veterano de guerra dos Estados Unidos e ter transtorno de estresse pós-traumático. Segundo o relato reproduzido por Fernanda, a faixa o ajudou durante algumas crises por fazê-lo lembrar que não estava sozinho.
Na mesma live, fãs contaram que as letras os ajudaram em momentos difíceis. Um deles afirmou ter tatuado um trecho de “The Outsider”. Fernanda disse que relatos desse tipo têm mais valor para ela do que qualquer outra coisa, por reconhecer o sentimento de pertencimento que as letras de outros artistas e o metal também lhe proporcionaram.
A repercussão das canções também alterou seu modo de trabalhar. Fernanda afirmou ter sido mais metódica na composição do terceiro álbum do Crypta, descrito como conceitual e previsto para 2027. O primeiro lançamento dessa nova fase é o single “A Portrait of Decay”.


