A relação de João Nogueira com Geezer Butler começou antes da colaboração em um disco do Mastodon. Aos 13 anos, o músico brasileiro comprou um baixo Jennifer por 300 cruzeiros na Rua da Concórdia, no Recife, e passou a tentar reproduzir de ouvido “N.I.B.”, além de músicas do Kiss. A linguagem do Black Sabbath, baseada em uma sonoridade bastante pentatônica, foi a primeira que ele conseguiu decifrar sozinho.
Essa memória ajuda a explicar por que Butler teve um peso especial para Nogueira, conhecido como Rasta, entre os convidados de Marrow Deep. Em uma live do canal Ibagenscast, o tecladista afirmou que a participação do baixista do Black Sabbath superou as demais em impacto pessoal. Butler assina a introdução de “The Vanishing”, faixa lançada em 28 de agosto no nono disco de estúdio do Mastodon.
O álbum também conta com Josh Homme, do Queens of the Stone Age, em “Snakes for Dinner”, além de Joe Duplantier, do Gojira, e Randy Blythe, do Lamb of God. Nogueira se declara fã antigo de Homme e considera Them Crooked Vultures um dos melhores discos de rock da história.
Ainda assim, a presença de Butler ocupou um lugar particular para o músico. “O Geezer ofuscou um pouco isso aí para mim”, declarou Nogueira. Ele avaliou que a participação de Homme era mais previsível por causa da amizade do guitarrista com Brann, mas ressaltou que já teria considerado o álbum marcante apenas com essa colaboração.
A introdução de “The Vanishing” conectou, portanto, o trabalho recente do Mastodon a uma descoberta musical feita por Nogueira na infância, quando o repertório do Sabbath foi a primeira referência que ele conseguiu compreender sozinho no instrumento.


