A dicção de Renato Russo seria o principal elemento que dificulta a reprodução de suas canções por uma inteligência artificial, na avaliação do escritor Jocelino Filho. A análise foi apresentada em uma live do canal Pitadas do Sal, com participação da escritora Carla Cruz.
Jocelino e Carla assinam Renato Russo - Todas as Canções, livro de quase 500 páginas dedicado à obra do compositor. Para o escritor, a dificuldade de imitar Renato está na combinação entre profundidade e simplicidade, característica que ele considera central nas letras do artista.
“É mais fácil simular uma letra do Chico Buarque do que do Renato Russo”, afirmou Jocelino. Segundo ele, Chico Buarque trabalha com uma estrutura mais reconhecível, ajustando a letra à métrica da melodia. Esse método permitiria identificar um padrão e, consequentemente, construir um modelo mais acessível à reprodução por uma IA.
Renato Russo, na comparação, escreveria de maneira mais solta. Jocelino descreveu o compositor como mais dionisíaco e disse que suas letras podem apresentar combinações inesperadas, cuja força depende também da forma como são cantadas. A dicção do artista, segundo o escritor, seria um componente difícil de reproduzir tanto por máquinas quanto por intérpretes humanos.
Simplicidade como escolha
Carla Cruz afirmou que a clareza das letras não decorria de falta de recursos técnicos. Para ela, Renato poderia ter seguido um caminho mais rigoroso na composição, mas escolheu uma forma simples de comunicação e manteve o interesse em tornar suas canções compreensíveis.
A dupla preparou o livro em três meses, com lançamento planejado para coincidir com os 30 anos da morte de Renato Russo. A obra percorre a trajetória do compositor desde o Aborto Elétrico até as gravações finais.
Jocelino Filho e Carla Cruz também assinaram 50 Anos de Sonho de Sangue, dedicado às letras de Alucinação, de Belchior. O financiamento coletivo do novo livro já havia atingido a meta.


